quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O dia sem carro

Amanhã é o Dia Mundial sem Carro. Hora de celebrar poucas conquistas, mas principalmente conscientizar pessoas sobre a necessidade urgente da adoção de medidas contundentes e eficazes que impeçam a degradação completa do meio ambiente.
Os sinais de deterioração da qualidade do ar e da água, por exemplo, são evidentes para os paulistanos. No verão, tempestades cada vez mais devastadoras. Calor acima do normal. No inverno, tempo seco com recordes diários de concentração de poluentes. O cenário é desanimador.
Em São Paulo, ao invés de buscar soluções definitivas para o problema mais uma vez se recorre para a sápida mais fácil.
Nesta quinta, o prefeito irá ao trabalho de helicóptero, secretários de ônibus, governador de trem. E ouviremos insistentemente um demagógico apelo:  - Deixem o carro em casa. Carro polui.
O carro logo se transformou no principal vilão da cidade.
Pode até ser, mas o pedido é justo? É admissível que prefeito ou governador de São Paulo peçam aos moradores da cidade que deixem o carro em casa?
Imaginemos alguém que mora em M´Boi Mirim. Passa 3 horas enlatado em um ônibus pra ir ao trabalho, mais duas pra voltar. Trabalha de maneira incansável e compra um automóvel em 60 parcelas. Agora tem um pouco mais de conforto. Dorme meia hora a mais. Chega em casa e encontra as crianças ainda acordadas.
É justo pedir que ele deixe o carro na garagem e volta ao sanduíche sobre rodas?
Vou aqui relatar um caso pessoal. Estou sem carro faz 2 meses. Meu trabalho fica 12 km distante do meu trabalho. Pesquisei então a possibilidade de utilizar o ônibus, afinal, metrô não há nem lá, nem cá.
A viagem, que de carro leva meia hora, de ônibus demoraria 1h20 em duas linhas diferentes pra ir, 1h40 pra voltar em outras três.
Ao invés de acordar às 6h teria que despertar às 5h. Ao invés de chegar às 17h desembarcaria em casa às 18h20.
Exceto um ou outro com tendência sadomasoquista, ninguém gosta de ficar preso em congestionamento. A maioria da população deixaria o veículo em caso se o transporte público tivesse o mínimo de qualidade.
Portanto, antes de criminalizar o uso do carro, mostrar gente feliz andando de bicicleta na Avenida dos Bandeirantes, é preciso dar opção, escolha.

Um comentário:

  1. Rafael,
    Sinceramente já não pago a inspeção veicular!!!Rsrsrs...!!!Abraços
    Marcio Blota.

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