sábado, 22 de janeiro de 2011

Zumbis

Zumbis esquálidos caminham na contramão pelas faixas de trânsito e fazem ziguezague entre os carros parados no congestionamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho.
Motoristas se apressam para fechar os vidros dos automóveis e evitar a abordagem daqueles seres que de tão magros parecem só ter ossos.
São viciados em crack. Caminham inconscientes.
Olham fixamente para o horizonte e não enxergam nada além da ponta fumegante de seus cachimbos.
Foram se agrupando aos poucos naquele pedaço da zona sul.
Eram dez. Depois, vinte. Hoje, são inúmeros. Estão entregues.
Alguns só de passagem. Outros moram no Córrego Água Espraiada, em uma pequena faixa de terra que separa o esgoto do asfalto.
Ali, estendem roupas, tomam banho, fazem sexo, cometem pequenos furtos para manter o vício.
Pulam os muros de alguns imóveis abandonados. Não se sabe o que fazem lá dentro.
São a prova viva da forma falida como a sociedade trata os que sucumbiram ao vício.
O que fazer com eles? Prender? Internar obrigatoriamente? Deixar lá?

Enquanto o mundo não chega a uma conclusão, prefeitura, polícia e agentes de saúde assistem passivamente a consolidação de uma sucursal da Cracolândia na zona sul.
Palco de um dos maiores escândalos de corrupção da história de São Paulo, a Avenida Roberto Marinho foi abandonada desde que os políticos paulistanos foram até lá para cortar a fita da inauguração, bater uns nas costas dos outros e fumar seus charutos gigantes comprados em viagens ao exterior pagas com nossa grana. E nunca mais voltaram.
Mas, hoje a prefeitura se fez presente na região.
Instalou um radar de trânsito dentro do córrego para flagar motoristas que desrespeitam o limite de velocidade na Avenida.
Aqui em São Paulo é assim. Regras devem ser respeitadas.
Os viciados que se cuidem.
Se continuarem andando a pé na contramão, serão multados.
Se estiverem desrespeitando o rodízio então, nem te conto.

7 comentários:

  1. Rafael. A Avenida Água Espraiada (R.Marinho)é um perigo principalmente a noite. É meu caminho e de vez em quando eles ficam no meio da Avenida forçando os carros parar. Estão todos "Chapados", existe até o perigo de um atropelamento de um descuidado. Por falar em pular o muro de casas, vi um dia um rapaz pulando o muro de um terreno baldio daquela Avenida e, logo após ele voltou com uma muleta para se fingir de aleijado para pedir esmola.

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  2. É lamentável o que acontece,as "autoridades governo" finge que cuida e,a policia finge reprimir.
    Na verdade,isso não tem solução e,só tem aumentar o numero de viciados.
    Corremos risco transitar por esses caminhos,podemos ser assaltados sem a menor cerimonia.
    abs

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  3. Rafael
    Primeiro parabéns por sua volta ao Blog.
    Se quem está na rua usando droga ou mesmo realizando algum trabalho,é menor, o poder público pode retirá-lo.
    Se ele é maior, temos que aguardar que cometa alguma infração ou mesmo crime.
    Temos que retirar este Zumbis e tratá-los antes que cometam crimes, para isso devemos mundar a legislação.
    Pedro da Silveira

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  4. Lamentável... O crack vem tomando todos os bairros da capital paulista, seja o mais nobre da zona sul, como Morumbi, por exemplo; ou o mais periférico como Jardim Angela.

    "É questão de saúde pública..." Todos dizem isto. Eu, você, Rafael, o Kassab, o Alckmin, os deputados... Todos podemos repetir esta enfadonha e óbvia afirmação mas, quem poderia resolver ou, pelo menos, diminuir o problema, não o faz, preferindo fazer uso da frase.

    Morei na Mooca desde que nasci, durante 35anos. Mudei-me de lá ano passado porque um jovem de classe média, vindo de família estrutura e intelectualmente formada, resolveu morar só, em uma das casas de seu pai, sabe para quê? Para vender cocaína, crack e êxtase. E justamente passou a ser meu vizinho. Nas madrugadas de movimento intenso podia-se ouvir em alto e bom tom: "quero um docinho. E dois pinos" Outro: "um pedregulho". Porra... mercado livre virou aquela merda. E no endereço fica a 57ªDelegacia de Polícia; rua do Oratório, Alto da Mooca. Não é uma rua tomada por pensões ou casas que "alugam quartos". O valor das casas, tanto a que eu morava quanto a do traficante pequeno porte, é de cerca de R$250mil cada uma!

    A PM queria que eu dissesse a eles aonde o cara escondia a droga, qual a quantidade que ele mantinha em casa e outros detalhes, não menos importantes, para poder abordá-lo. "Peraí que vou investigar e, assim que eu concluir o inquérito, retorno a ligação..."

    É isso! Preparem-se para vivenciar noites como "Triller" pelas ruas da capital paulista!

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  5. Eu sou do tempo que o Ennio Voss, colegio onde estudei ficava à geira do córrego, onde eu e meus amigos apedrejavamos ratazanas bem criadas ao longo da margem daquele esgoto a céu aberto.
    Quando veio a avenida eu achei que melhoraria mas ao contrario só piorou, ao menos socialmente, pois as autoridades não estão nem aí. talvez não passem or lá pra não serem confundidos com as velhas ratazanas de outrora.

    Rogerio Silva 48 anos
    músico e corretor de seguros

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  6. Sempre me espanto com o número crescente de viciados em crak na região. Andam sem rumo, pedindo dinheiro para conseguir o "sustento do vício", mas o que mais me espanta é a forma fácil de conseguir a droga. Até mesmo porque a região não tem o mesmo formato da "cracolândia"no centro, com muitos cortiços ou pequenas casas. Tem prédios e lojas comerciais, ou seja, é muito fácil saber qual o caminho que a droga faz até chegar ao consumidor.
    E se existe o consumo, e o consumo crescente, existe o traficante, que consegue à vista de todos vender a morte!!

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  7. Heheheheh, tudo um grande circo onde os palhaços somos nós, aqueles que pagam os impostos que, diga-se de passagem, é o que realmente interessa. Os dependentes químicos que morram.

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