sábado, 31 de julho de 2010

Dialeto

Cada "tribo" tem seu código.
Gírias e expressões são uma das formas mais utilizadas pelos seres humanos para se identificar como, por exemplo, amante de um estilo musical, integrante de uma seita, torcedor de um time.
Usam termos que só se justificam desde que ditos pra gente do seu próprio mundo.
Motoboys, roqueiros, hare-krishna. Todos têm um dialeto.
Mas, a comunidade que mais aperfeiçoou a transformação de palavras em modo de "juntar os seus" foi a dos maçons. É fascinante. Você está em uma roda de conhecidos e de repente um deles, sabidamente maçom, diz:
- Sabe o Robertinho, do almoxarifado? É maçom.
- Como você sabe?
- Foi uma palavra que ele disse. É um código que só nós reconhecemos.
Sua primeira reação nessa hora é a de se sentir absolutamente inferiorizado.
- Porque o Robertinho do almoxarifado e não eu? Nunca me quiseram na maçonaria ?
A segunda é tentar identificar a palavra usada:
- Será que foi a hora em que ele pediu a MOSTARDA ao garçom? Ou quando disse que ia embora pois tinha que passar na LAVANDERIA?
Impossível descobrir. Melhor deixar pra lá. Afinal, agora também pertenço a um grupo, uma comunidade. Tenho um idioma próprio.
Depois de muitos anos consegui decodificar o que dizem na padaria perto de casa.
Por muito tempo me senti um incompreendido naquele ambiente.
Um café com leite na xícara? Esquece. Sempre vinha no copinho.
Um pão com pouca manteiga? Impossível. Vinha melado.
Uma média com pouco café? Vinha escura.
Passei então a prestar atenção em gente mais experiente que eu. Gente com as marcas daquele balcão nos braços. Cheiro de gordura da chapa impregnado nas rugas.
E notei que eram diferentes.
Nunca pediam um pão com pouca manteiga. Mas um pão só com o cheiro da manteiga. Pronto.
Nunca pediam um café com leite. Coisa de criança. Pediam uma média. Que pode ser com ou sem espuma, clara ou escura, enfim ao gosto do freguês.
Um café com leite é sempre servido no copinho. Na xícara pequena é expresso.
Pão sem miolo? Na canoa.
Só na chapa? Chapado.
Sem passar na chapa? Um direto.
Agora imprima esse texto, corra pra padaria mais próxima e bom apetite!

5 comentários:

  1. Vou amanhã comer um pão doce com mortadela na chapa e coca cola as 6:30 hs, porque a aula que tenho que dar começa as 7:00 hs, EMPG Pe Anchieta,Vila Progresso. Desculpe Rafael errei o tempo isto era 1975. Abraços

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  2. Dos maçons, o melhor é a ssinatura com o três pontinhos. Que entregam tudo mas que mesmo assim eles continuam negando. Sabe-se lá o por que.

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  3. Se for a Santos, cuidado ao pedir média na padaria, que lá é apenas um paozinho francês.

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  4. Bom, se for ao Rio Grande do Sul, peça um cacetinho no lugar do pão, pode pedir, é só pão,hehe!

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  5. Saudações Rafael.
    Sou ouvinte diario da Rb/sp recente,mais o que mais gosto é estar em sintonia com os meninos que voce agora voce faz parte.
    Gosto e acostumei com as broncas do zé Paulo,a moderação,sabedoria,principalmente seu completo conhecimento de f1,as sacadas geniais do chacrinha da economia Joelmir.Enfim estar bem informado,discussões,até o trabalho chato se torna prazeroso.Ah estava me esquecendo do Blay,da Patricia e o pessoal de Brasília as sextas.Preciso de refencias jornalisticas nesse seguimento a Bandeirantes como tudo por completo voces fazem com respeito e isenção.
    Por favor se possívem me oferte um café numa dessas edições diarias,estarei como sempre na esculta.Um grande abraço do cônsul da emissora aqui em Salto/sp Emilío Toaliari Jr(assistente administrativo)obs:mais um favorzinho pregunte para os meninos Salomão e ZÉ Paulo se eles recordam da linguiça fabricada em Tiête no qual o saudoso saltense,jornalista,médico,deputado,secretario da saúde,escritor e autor do hino de Salto dr Arquimedes Lammoglia os ofertava sempre no possível.
    Um grande abraço e o aguardo uma visita em nossa estância turistica.

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