quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Criptonita

Algumas coisas bobas, aparentemente fáceis de serem feitas,
dão muita preguiça. Duas em especial me causam repulsa.
Tirar dinheiro no caixa eletrônico e colocar gasolina no carro. Chega a dar ânsia.
Sendo assim, minha carteira e o tanque do meu carro vivem vazios.
Com freqüência pago contas de R$ 1,20 ou R$ 2,80 com cartão de débito.
Finjo que nem percebo a cara feia do comerciante que, com essa quantia, não deve sequer pagar a taxa da administradora do cartão. Azar o dele.
Já emiti, inclusive, um cheque de três reais em um pedágio da Ayrton Senna.
Disse ao funcionário que a única alternativa seria voltar de ré até São Paulo, já que ele não me deixou fazer um retorno.
O caixa funciona pra mim como a criptonita para o Super-Homem. Tira a força.
Parece que estou desperdiçando tempo de vida enquanto teclo senhas de letras, números, etc. Sinto como se a portinha por onde saem as notas fosse se abrir e uma mão me acertará um murro na boca do estômago.
Por raiva é que minhas senhas são todas palavrões. Algumas, menores. Por exemplo: Senha de duas letras: C-U. Senha de três letras: F-D-P ou P-Q-P.
E o tempo que se perde em postos de gasolina?
Geralmente percebo que o carro está seco de manhã quando estou atrasado e tenho que optar: café da manhã ou álcool? Tomar banho ou pôr gasolina?
Sempre tive orgulho de circular dias com o tanque zerado.
Me sentia superior, mais seguro e esperto do que os bobos que se assustam quando a luzinha vermelha acende no painel.
Até semana passada, quando o carro apagou na JK. Sexta-feira, 17h30.
Pensei que nunca fosse acontecer comigo. Meu parceiro me deixando na mão?
Tentei fazê-lo funcionar em vão. Sorte que um sujeito parecido com o Rolando Boldrin e um motoboy me ajudaram a empurrá-lo até a calçada.
Comprei um pouco de álcool no posto.
O coitado bebia como se fosse um camelo que atravessou o deserto.
Ah, ia me esquecendo. O saquinho de álcool custou R$ 4,00.
Paguei com cartão de débito.
P-Q-P.

6 comentários:

  1. Nada é mais chato que esperar elevador, principalmente quando estou atrasado...

    Visite: http://umapiada.wordpress.com/

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  2. Te escutei no Sofá Bandeirantes com o Paulo.

    Muito bom!!!!!!! Você é um exemplo de profissional para nós estudantes de comunicação.

    Continue assim!

    um beijo!!!

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  3. Pow rafael Colombo, eu ri pra burro dessas suas impressões de coisas corriqueiras do dia-a-dia. Ri pakasss. Muito bom cara... você tem que comentar esses posts no programa do Jó.Renderia altas risadas..rs,óbvio brother que tem aquele lance da política da empresa em relação a participação de seus funcionários em outra emissora..mas, Falows

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  4. Boa noite Rafael,então eu sou imune a CRIPTONITA,mas se eu for no caixa eletrônico,não sai nada,então tanto faz....rsrsrs...mas eu tb uso demais o cartão de débito...mas,não como vc.....rsssr.. abs.

    Ass Sergio Cesar

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  5. Rafa!!!

    Me identifiquei demais com esse post! Em primeiro lugar, porque essas são as duas coisas que eu mais detesto. Também já dei cheque no pedágio. E uma vez que estava sem dinheiro e sem talão, cheguei ao extremo de pegar uma promissória para pagar no banco! E eis que, há mais ou menos um mês, o meu carro tb parou em plena av. Santo Amaro às seis e pouco da tarde de uma sexta-feira infernal! Tive a mesma sensação que vc: não acreditei no que vi. E duvidei mais ainda quando o oásis do meu deserto apareceu exatamente do outro lado da avenida: o posto de gasolina. Acalmei a Ramona (meu carro é uma menina), liguei o pisca-alerta e prometi voltar logo. Armada com o cartão de débito e com óculos escuros gigantes para esconder a vergonha, corri em direção ao frentista. Ele encheu um saquinho de gasolina, mas, diante do congestionamento e do buzinaço do outro lado da Santo Amaro, achou que nem valia a pena perder tempo passando o cartão de débito. Dei graças aos céus por ainda existirem pessoas sensíveis no mundo!
    Um beijo grande,
    Jana Lepri.

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