domingo, 16 de agosto de 2009

Oi?

O teste de audiometria serve para verificar a qualidade da audição de um indivíduo. O cidadão fica em uma cabine fechada com um fone no ouvido. Do outro lado, observando o paciente por um vidro, o médico.
Dia desses tive uma gripe forte. Nariz congestionado, tosse, essas coisas.
Como em tempo de gripe suína não dá pra saber se focinho de porco é tomada procurei um médico que suspeitou que estivesse entre outras coisas com secreção no ouvido esquerdo. Fui ao teste. Já tinha feito outras vezes. Foi quando constatei uma leve perda de audição justamente no ouvido que seria examinado. A deficiência é leve, mas suficiente para que eu sempre responda com um “hã?” ou “hein?” quando alguém fala comigo pelo lado esquerdo.
De volta para a audiometria me acomodei na cabine com isolamento acústico total. Na minha frente, a médica. Me deu um aparelhinho para segurar com um botão na ponta. Cada vez que ouvisse um sinal, deveria apertá-lo.
Enquanto o teste não começava pensei no seguinte:
Imagine se estiver mesmo com esse negócio. O que vão fazer? Lavagem no ouvido? Vai doer muito. Terei que tomar remédio por quanto tempo? Vai dar um trabalho danado.
A cabeça viajando e nada do exame começar. Ou será que ela já está emitindo os sinais e não estou escutando? Minha surdez piorou? Assim que sair daqui vão enfiar uma mangueira na minha orelha com uma jato de água tão forte que vai sair pelo outro lado, como em desenho animado?
Bom, vamos ao teste. Os sons começam em um tom alto. Sem problemas. Sucesso total.
Com o tempo fui percebendo que a médica emitia os avisos sempre com o mesmo intervalo de tempo. Um, dois, três, pi – quatro, cinco, seis, pi. O volume foi diminuindo aos poucos.
Mesmo sem ouvir absolutamente nada apertava o meu botão imaginando que ela faria a parte dela também. Um, dois, três, pi - quatro, cinco, seis, pi.
É isso mesmo.
Resolvi colar, fraudar a audiometria para evitar lavagem, remédio, essas coisas.
Não deu certo.
O exame constatou a suspeita do médico.
Nada que um bom antibiótico não resolvesse.
Fraudar um exame médico é uma das atitudes mais estúpidas que alguém pode tomar.
Mas quem gosta de remédio, lavagem no ouvido?
Hein? Hã?

Um comentário:

  1. Ninguém gosta de ficar doente. Claro que não. Nem o melhor hipocondríaco. Ele só gosta de TOMAR remédio. Mas tem que estar saudável. AGora, uma vez dodoizinho, não importa se da cabeça ou do pé. O remédio é tomar. Remédio.

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