sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Malandragem

Três jovens foram flagrados por seguranças pichando muros de uma empresa na Mooca no fim de semana passado.
Tomaram uma bela “coça”. Aliás, com uma boa dose de excesso.
Ao invés de acionar a polícia, os seguranças perseguiram os adolescentes com um cachorro que mordeu um deles, atiraram para o alto apenas para “assustar” e, antes de obrigar o bando a fugir correndo pela linha de trem, apreenderam o spray e picharam o corpo dos rapazes.
Pichação é algo que deixa qualquer cidade mais feia, com aspecto de abandono.
Contribui para a degradação urbana.
Afinal, o vândalo se sente mais estimulado a destruir algo que já está mal cuidado.
Foi com essa teoria debaixo do braço que o histórico prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, recuperou a cidade. É preciso deixar de tolerar a pequena contravenção, como a pichação por exemplo, para inibir crimes tidos como mais importantes.
O caso da Mooca deixa claro, no entanto, um exagero de gente mal preparada que se sente acima da lei e acha que deve fazer justiça com as próprias mãos.
Que com uma arma e um rádio passa a se sentir policial e juiz ao mesmo tempo.
Mas esse episódio me fez lembrar que todos estamos sujeitos a errar.
Com uns 12 anos tinha um amigo que era um mau elemento.
Eu nunca fui, mas durante um período, achei que podia ser.
Compramos um canetão e combinamos de pichar uns muros no bairro.
Saímos juntos, mas nos separamos na rua para não levantar suspeita.
Nos encontramos meia hora depois para um balanço da contravenção.
Meu companheiro indicou umas dez paredes no bairro que tinham a assinatura dele: BEX.
Não sei de onde tirou esse apelido, mas achei o máximo.
Eu só tinha uma. O muro do meu próprio prédio. E adivinhem o que escrevi?
Meu próprio nome! Um gênio da contravenção! O Ronald Biggs da pichação!
Tomei uma dura do cara. Ficou evidente, se é que ainda tinham alguma dúvida, que eu não era o malandrão que julgava ser.
Tive que reiniciar a pichação para dar um jeito de disfarçar meu próprio nome e apagar vestígios da auto incriminação.
Ficava circulando pela calçada da minha casa tentanto bolar algo. Como fui tão ingênuo?
Olhava para o alto para ver se minha mãe não estava na janela, para o lado para ver a cara de desprezo do meu amigo pichador e me agachava para fugir do porteiro e camuflar meu erro.
De RAFA mudei a inscrição para BARATA.
O “T” era na realidade um “F” disfarçado que não consigo reproduzir aqui.
Depois disso aposentei o canetão.
E hoje me considero um sujeito de sorte por não ter encontrado um segurança louco pela frente.

5 comentários:

  1. Não gosto quando comparam o sistema "tolerância zero" utiliado em NY com os sistemas de seguranças brasileiros. Pra mim é tão claro isso. Poxa! Basta percebermos a cultura do nosso povo. Povo sem cultura. Vamos trazer o Giuliani pro Brasil! implantarmos o Tolerância Zero aqui, mas primeiro temos que deixar uma "caixinha" na câmara e no senado, para alterarmos as leis. Depois vamos levar o politico Nova Iorquino às escolas públicas brasileiras, depois uma passadinha nos presidios, nas praças (bem cuidadas) das cidades...
    Qualquer sistema lá nos Estados Unidos dá certo! Aqui no Brasil o buraco é bem mais embaixo, não temos educação, não temos respeito às autoridades constituidas. Claro, elas não dão exemplos para isso!

    Resumindo!!!

    Não usemos NY como exemplos para algo no Brasil!!!

    Vamos nos compararmos ao Haiti, Colombia, bolivia!

    Abraçoss!!

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  2. Grande Barata:
    Parabéns por não ter virado uma barata tonta.
    Abs
    Haisem Abaki

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  3. Penso que,quem fosse pego pichando muros,ou qualquer outra coisa "pichação" deveriam pegar escovão e sabão e lavarem todos os muros pichados dos bairros em que forem pegos.
    Nem que fossem trabalhar por 12 hóras seguidas,talves assim essa gambada de porcalhões aprendam ser gente.
    abs

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  4. Pô, Barata, faz tempo que eu não te vejo, mas essa história você deveria ter contado nos tempos do Pastel!
    Abraço!

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  5. Rafael sei que os seguranças deveriam reter estes irresponsaveis, chamar a policia e deveria existir uma lei onde o nome do pichador e seus pais deveriam ser publicados,comentados em tv e radios e consequentemente pegar já na primeira vez 5 ( CINCO ) dias de cadeia e ir dobrando tanats quantas vezes for necessario creio que teriamos um basta e ninguem ficaria com PENINHA dos delinquentes.

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