segunda-feira, 15 de junho de 2009

Abelhudo

São Paulo possui centenas de salas de cinema. É a maior oferta do país.
Mesmo assim, faltou lugar durante o fim de semana prolongado.
Em uma das duas tentativas de assistir a um filme qualquer para atenuar as dores do plantão do feriado me lembrei de um caso “abelhudo”.
Faz mais ou menos um ano fui assistir a estréia de Bee Movie em um shopping da cidade.
O filme é uma animação criada por Jerry Seinfeld que conta a vida de uma abelha que se comporta como gente e estimula uma greve nas colméias americanas ao descobrir que os humanos roubam e vendem o mel que produzem com muito suor e trabalho. Apesar de parecer, não é um filme exclusivamente para crianças.
Escolhi a sessão legendada de um sábado à tarde. Estava sozinho. Consegui minha poltrona predileta – a primeira da fila para esticar as pernas no corredor e/ou conseguir escapar mais rápido em caso de incêndio ( quem não tem paranóia?).
Minutos depois chega um outro rapaz com um saquinho de doces comprados nas Lojas Americanas, um refrigerante e pipoca. Senta-se na mesma fileira que eu, umas três cadeiras pra lá. O destino dele, o meu e o de uma família que também acabara de chegar iriam se cruzar minutos depois. Começa o filme. Expectativa. Foram dez anos de espera até uma novidade produzida por Seinfeld. De bate-pronto uma das crianças da família que citei acima começa a chorar. Tinha uns 3 ou 4 anos. Depois, pula do colo da mãe para o do pai como se tivesse um ferrão espetado no bumbum.
Próximo passo: o garotinho conversa com a irmã, um pouco mais velha.
Nada que atrapalhasse demais. É claro que se fossemos levar as coisas ao pé da letra a família deveria ter assistido a sessão dublada. Mas, bola pra frente.
A criança botou novamente a garganta para trabalhar, o choro se intensificou e a mãe, constrangida, decidiu sair da sessão para alívio geral da platéia.
Quando ela levantou, o rapaz do saquinho de doces gritou:
- Até que enfim! Se toca! Some daqui! Vai pra sessão dublada!
A mãe se descontrolou. Largou a criança no chão e quis partir pra cima do rapaz dos doces.
Mas antes teria que passar......por mim.
Quem mandou sentar na poltrona predileta - a primeira da fila para esticar as pernas no corredor e/ou conseguir escapar mais rápido em caso de incêndio? (quem não tem paranóia?)
Ela gritava todos os palavrões possíveis descontroladamente:
-Não mexe com filho meu, fdp.....vead......safad.....!
Fui obrigado a me levantar e tentar acalmá-la. Mostrei que a criança chorava ainda mais e a convenci a levá-la para tomar água. Por um minuto fui a atração principal da sessão desenvolvendo minha habilidade como mediador de conflitos.
Que não funcionou tão bem assim.
Ao fim do filme o pai da criança, até então sumido, surpreendeu o rapaz dos doces e deu-lhe um belo pescotapa. Com a mão na nuca empurrou a cabeça do "chato" para baixo e fez com que andasse uns bons metros cheirando o chão. Ainda derrubaram uma meia dúzia de cadeiras da praça de alimentação até que os seguranças chegassem.
E depois de onze anos de espera felicito o lançamento de Bee Movie em DVD.

5 comentários:

  1. sempre leio, a correria me imped e de comentar..
    mas este texto tá demais ..parabéns Rafael,
    abraços.
    Nonato

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  2. Posso copiar e ecolocar no meu blog? está no memso estilo, ehehehe. Já tive a ingrata oportunidade de vivenciar algo bem parecido.
    Abs

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  3. Rafael ,obrigado pelo envio deste é notavél está demais PARABÉNS. Cesar

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  4. hahahaha!!!! Seinfeld iria adorar!!!!..hahahah!!!

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  5. hahahahahahahaha!q abelha

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