sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma banda pra acompanhar

Ter uma banda predileta é um privilégio. Pensei nisso hoje de manhã enquanto ouvia uma entrevista na Rádio Bandeirantes.
O jornalista Haisem Abaki bateu um papo bem legal com Paulo Miklos sobre o lançamento do novo disco dos Titãs.
Enquanto a conversa rolava no rádio do meu carro resgatei na memória minha primeira lembrança da banda. É de 87. Tinha 9 anos quando ganhei de aniversário um micro-system da CCE.
Era o máximo na época. Parecia um daqueles equipamentos gigantescos que os rappers americanos apoiavam no ombro enquanto dançavam pra fazer"tipo" em clipes da década de 80.
Eu e uns amigos levávamos o rádio e uma fita-cassete para a portaria do prédio, ligávamos em alto e bom som apesar da contrariedade de alguns moradores e travávamos uma disputa. Em sistema de rodízio, cada um de nós tinha 5 minutos cronometrados para achar "a" música e gravá-la.
Ao fim do dia ouvíamos o resultado final.
Gravei milhares de músicas umas em cima das outras até a fita perder a força.
Mas uma delas ficou guardada, nunca foi destruída.
A fita era laranja e tinha como música de abertura "Comida" do disco "Jesus Não Tem Dente do País dos Banguelas". O tom de voz rasgado de Arnaldo Antunes, o ritmo estranho que misturava rock n´roll com reggae, a presença marcante do coro dos outros componentes soaram como algo mágico. Sem saber, antes mesmo da primeira década de vida, já tinha uma definição em relação ao futuro: uma banda pra acompanhar, que iria me influenciar dalí por diante no modo de me comportar, nas coisas que penso, que digo, nos lugares onde vou, nos amigos que escolho.
A partir da portaria do meu prédio descobri o resto do disco que tem clássicos como " Lugar Nenhum", "Corações e Mentes" e "Nome aos Bois" e a fita laranja logo virou uma cópia pirata do vinil que ganhei dias depois. Fita laranja que desapareceu com o tempo, mas tem o mérito de ter sido a primeira peça um amplo material em audio, video e texto reunido ao longo de 20 anos relembrados alí, dentro do carro, em 20 minutos.

4 comentários:

  1. VIXII!!!..São Várias.
    Nessa época eu gostava mais da Legião, gostava mais das letras do Renato, Titãs eu achava muito PUNK...rss..as letras politizadas (do contra) não me seduzia tanto.

    Lembro bem quando aprendi a cantar FAROESTE CABOCLO..inteira..vivia cantando pelos cantos e escrevendo a letra pros amigos.

    eu tbm era adepto das basf's (laranjinha)

    ficava de ouvido coladinho no rádio só esperando a hora do PLAY/REC.

    Ahhhh...anos 80!!!

    ResponderExcluir
  2. Rafa:
    Agradeço pela referência. Você retratou bem uma época pela qual todos nós passamos, ainda que em épocas diferentes. Eu também adorava uma barulheira e era um mestre na agilidade de apertar PLAY/REC. Hoje, tô mais quieto e peço pra minha filha me ensinar a usar uns aparelhinhos que ficam cada vez menores. Já sou um titânico!
    Haisem Abaki

    ResponderExcluir
  3. Ai, ai, ai... o Haisem esqueceu de citar o torpedo....bem, masfalando em Titãs, também to mais pra titanica..adorei editar o Miklos e lembrar dos tempos de danceteria.radar tantan e QG.
    Adriana

    ResponderExcluir
  4. Titãs é uma banda demais! Curto muito o som deles! Apesar de que quando passei a ouvir música mesmo, perto dos meus 14 anos, eles já eram um grupo com lançamentos mais esporádicos. Apesar disso, qualidade nunca faltou a músia nenhuma deles. E gosto muito da música "Epitáfio"...

    Para uma banda ficar tanto tempo na ativa, com a quantidade de fãs que eles têm, é por que eles são bons demais!

    Flow Rafa!

    ResponderExcluir