sexta-feira, 1 de maio de 2009

Olha aí freguesia!

Sábado é dia de feira perto de casa. Confesso que de um tempo pra cá adquiri uma certa resistência ao evento. Pela interdição desnecessária da rua, pelo cheiro de peixe que fica como lembrança, pela sujeira que demora a ser recolhida e por, algumas vezes, discordar da higiene e da forma de acondicionamento dos alimentos. Ainda não consigo me convencer que comprar comida na rua é um bom negócio. Só uma barraca segue me encantando. A do pastel. Desde criança, quando ia a feira acompanhado da minha mãe e do meu irmão, compro pastel na mesma barraca. É uma espécie de tradição que não pode ser quebrada. Já tentei mudar, mas me senti inadequado, sem jeito. Era como se estivesse cometendo uma infração. Como se a polícia fosse chegar, dar um tapa no meu pastel ainda pela metade e me obrigar a voltar para a barraca de onde eu, um traidor, nunca deveria ter saído! Afinal de contas, ainda estão lá as mesmas vendedoras que me serviam quando era um menino. Com exceção de uma delas, uma japonesa, a mais velha da turma. Nunca tive coragem de perguntar, mas pelo sumiço repentino, certamente não está mais entre nós. A única coisa que mudou ao longos dos anos, além da ausência da "gerente" da barraca, foi o sabor do meu pastel. Já preferi o de carne, queijo, bauru. Hoje, fico no de pizza.
São Paulo tem quase 900 feiras-livres. A prefeitura, faz uns dois anos, tentou discipliná-las. Estabeleceu horário para o funcionamento das barracas e cobrou mais higiene.
Parece ter dado resultado, afinal, as feiras seguem atraindo muita gente.
Consumidores em busca de produtos mais baratos do que em sacolões e em supermercados.
Que gostam de ouvir toda semana o feirante gritar o maior chavão de todas as feiras do mundo:
- Aqui moça bonita não paga, mas também não leva!
Que vão a feira encontrar os vizinhos, saber as últimas do bairro.
Ou então, apenas manter viva uma recordação de infância tão boa quanto afundar a cara em um imenso pastel de carne acompanhado da mãe e do irmão em um sábado de manhã.

2 comentários:

  1. Quando pensamos na feira como vizinhos. Fim da mesma.................
    Mas, quando vamos fazer compras, no meu caso na sexta. Que felicidade! Ver o belo mamão, a bela maçã, e a ponkan. Nada como as couves e os brocólos ou brocólis, empilhados. Que linda montanha.
    Pastel continua sendo de palmito acompanhado de caldo de cana.

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  2. Coincidentemente, a feira daqui de casa fica na rua em frente, na Valentim Magalhães, e é também realizada aos sábados.

    O meu caso difere-se um pouco da barraca de pastéis. Meus irmãos sim, sempre "ancoraram" na barraca da esquina com a rua do Oratório, do lado direito.

    Eu já seguia, com meu pai, para a barraca do queijo. Enquanto meu pai ia comprando a iguaria, a esposa do dono da barraca ia dando-me pequenos pedaços de vários tipos de queijo para eu "experimentar", hehehe.

    Hoje, passados mais de 20 anos, continuo fazendo o mesmo percurso, da minha casa direto para a mesma barraca de queijos da minha infância mas, agora, quem fica comendo pedaços de tudo quanto é tipo de queijo é o Igor, meu pequeno ratinho de apenas 3 anos de idade.

    A feira livre realmente traz o melhor da nossa infância: sejam pastéis, queijos, os gritos dos feirantes... Para mim, entre tantas coisas, relembra bons momentos ao lado de minha avó paterna, que sempre levava-me a passear no meio da multidão.

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