segunda-feira, 11 de maio de 2009

Congonhas, carnaval e amizade

Passei dia desses por Congonhas. Não entrava lá há um bom tempo e fiquei impressionado com a mudança. Do lado de fora segue mal cuidado, repleto de vendedores ambulantes, com muros pichados, lixo acumulado, trânsito confuso. Mas por dentro mudou muito. Está modernizado, com novas salas de embarque, fingers, etc. Mesmo com todas as obras, o aeroporto não perdeu a identidade e continua sendo um marco da cidade. O piso quadriculado em preto e branco e o restaurante panorâmico que permite uma incrível visão da pista são das coisas mais paulistanas que existem.
A visita me fez lembrar bons momentos vividos enquanto trabalhei lá, por 2 anos, na Ponte Aérea Rio-São Paulo. As coisas eram bem diferentes embora não esteja falando de um período tão distante assim. Fim da década de 90. Não havia reserva de horário nem marcação de lugar para passageiros que queriam viajar entre as duas capitais . Funcionava assim: Varig, Transbrasil e Vasp monopolizavam o trecho e ofereciam, em média, um vôo a cada meia hora. Chegou, embarcou. O público era muito seleto. Empresários, artistas. O que não quer dizer que não promovessem barracos memoráveis.
Me recordo de uma sexta-feira pré-carnaval. Parecia que o mundo estava indo ao Rio. Sala de embarque lotada. Era uma da tarde e já não havia mais vagas para o vôo das 4 horas. Passageiros agitados, carregando fantasias, com crianças correndo por todos os lados. Um ou outro empresário irritado com a demora e louco para fechar um negócio importante do outro lado da Ponte-Aérea. Mas, as coisas podiam piorar.
E assim aconteceu. Eu e um amigo, Rogério, que coordenávamos o embarque, fomos avisados pelo rádio que por uma restrição da pista a aeronove não poderia decolar lotada nem muito pesada. Sendo assim, 40 passageiros que embarcariam às 13h30 teriam que ficar em São Paulo. Só poderiam voar às 17hs! Mas como escolhê-los se não havia ordem de chegada, lugar marcado?Só viajariam os mais baixos, os mais altos, os com a barba por fazer? Que critério usar? Nenhum. O jeito era torcer, mas o clima estava pouco favorável. Assim que demos a má notícia no sistema de som da sala de embarque houve uma revolta geral. Nós fomos xingados como o árbitro de futebol que não marca um pênalti claro para o time da casa. Eu e Rogério decidimos o seguinte: Abrir poucos centímetros da porta que dava acesso da sala de embarque para a pista. O suficiente para passagem de um corpo por vez. Como naquele tempo o embarque era feito a pé, cada um de nós ficaria de um lado escorando a porta. Assim que contássemos 90 fichas, fecharíamos a porta. Quem foi, sorte. Quem ficou, azar. Mas na verdade, nós ficamos com o azar.
Nossa estratégia furou. Conseguimos contar até o quinto cartão de embarque, mais ou menos. Depois, fomos atropelados. Os passageiros: artistas, empresários, completamente irados, estouraram a porta, invadiram a pista e sentaram em todas as aeronaves que estavam paradas por lá. Que iam pro Rio, mas também Fortaleza, BH, Campo Grande.
Resultado: A Polícia Federal interveio, entrou em cada um dos aviões, checou a passagem de cada passageiro, ameaçou alguns de prisão, levou outros para a delegacia.
Tomamos uma bela bronca da chefia, tivemos que voltar para a sala de embarque e encarar os mesmos passageiros, mas, em contrapartida, temos uma bela história pra contar que serviu pra solidificar uma amizade que dura muitos carnavais.

4 comentários:

  1. Certamente o melhor de todo este post não é a história em sí mas o fator "amizade" que, por intervenção divina de seus anjos da guarda, permitiu-lhes relembrar tão engraçado acontecimento pois, dadas as circunstâncias, talvez não teriam ficado na terra para contar a história (rs).

    Abraço!

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  2. rss...um verdadeiro retrato paulistano.

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  3. É, são histórias como estas que tornam a vida mais saborosa ao relembrar. Na hora é um desastre mas depois, é só risada. Pena que não tinha ninguém gravando senão iria para as 'cassetadas'.
    Um abraço da
    Mª Conceição.

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  4. Mandei para o seu e-mail uma foto sua com o Rogério na pista de congonhas , ao lado do PP-VOZ ,adesivado da Copa de 98. Um Abraço e boas lembranças.

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