domingo, 26 de abril de 2009

O massacre da serra elétrica

Domingo, 7 :10 da manhã. Friozinho típico de outono.
Folga depois de duas semanas.
Dia em que você acorda cedo, dá uma olhada no relógio e pensa:
- Preferia tomar um soco na boca do que me levantar agora!
Vira pro lado e volta a roncar.
Até que uma serra elétrica começa a funcionar na vizinhança.
Potente, motor envenenado. Deve ser 2.0 com injeção eletrônica.
A primeira reação é negar o problema, achar que está sonhando.
Mais alguns minutos e começa a pensar em hipóteses :
- O zelador do prédio enlouqueceu e está aparando a grama agora?
- Tem um motoboy fazendo zerinho embaixo da minha janela?
Mais um pouquinho de espera. Amaldiçôo a existência do "piloto" da serra elétrica e de toda a família dele.
Mais um pouquinho de espera. Não entendo como ninguém se incomoda. A irritação aumenta por me achar tão pouco desenvolvido emocionalmente a ponto de me irritar tanto.
Me levanto derrotado.
Abro a janela e vejo um cidadão com boné, uma camiseta amarrada no rosto, cortando o mato de um terreno baldio. Deve achar que está em um canavial na região de Piracicaba, mas não. Está na zona sul da capital.
Munido de uma dose de raiva absolutamente desconselhável para esta hora da manhã grito, mostro o pulso para chamar atenção para o horário e ameaço chamar a polícia.
O rapaz faz sinal para esperar. Chama um colega, eles conversam e fazem sinal de positivo.
Pararam! Foi fácil. Volto pra cama me sentido um pouco mais poderoso.
Mas e se eles não parassem? Chamaria mesmo a polícia? Pra isso?
Como é que São Paulo não possui um atendimento imediato para reclamações contra barulho.
Se eu ligasse para o PSIU iam abrir um chamado.
Completamente sonado, teria que procurar caneta e papel para anotar o protocolo.
E me dariam 30 dias para verificar a ocorrência.
Deixa pra lá. Melhor levantar. Já são 7:50.
Bom dia!

5 comentários:

  1. Minha irmã chamou, na semana passada.. uma hora depois da polícia ir embora, os pedreiros voltaram a martelar a parede do vizinho...

    ResponderExcluir
  2. Rafael, infelizmente é mais um problema de educação que está ficando cada vez mais rara em nossa humanidade. E como ela começa no berço, digo familia, e não na escola (com os professores,e as familias desestruturadas, como ficamos? Um abraço e parabéns por ter conseguido fazer 2 trabalhadores pensarem um pouco no próximo. Terezinha Vendramini

    ResponderExcluir
  3. Um amigo meu já teve esse problema tbm. Uma igreja evangélica realizou um culto até ás 01:00. Antes de chamar a policia, ele até foi lá conversar com o pastor, não adiantou...
    Parabéns pelo blog!!!

    ResponderExcluir
  4. Parabéns, pouco me liguei no problema. O texto revela um cronista brilhante

    ResponderExcluir
  5. Zarabatana, Rafael. Dificilmente você erraria, a menos que não tivesse uma caixa completa, e fechada, da "munição" do brinquedo.

    Acredito que ligar para o COPOM seria perder seu precioso tempo e bons minutos de seu sono.

    Eu tenho o mesmo problema, não com serra elétrica, mas com operários de uma floricultura que existe nas dependências de um posto de combustíveis bem ao lado da minha casa. Os caras trabalham de domingo a domingo; já pensei até em denunciar a Marisa, proprietária, para a Delegacia Regional do Trabalho por exploração de trabalho escravo.

    Pleno domingo, também as 7 da 'madrugada', uma música acorda-me:"você não vale nada mas eu gosto de você..." Não por ser roqueiro, gostar de MPB, Blues, Jazz e até música clássica mas isto aí, no início da manhã de um domingo a te acordar...?!

    Cada qual com seus problemas de desrespeito aos seus direitos. Você aí, na Zona Sul e eu aqui, na Zona Leste, mais precisamente na Moóca, numa rua que mais parece uma avenida (rua do Oratório). A via é percurso das viaturas dos Bombeiros, que saem da Av. Cassandoca; da polícia, que se dirige aos Distritos Policiais 57º e 18º; de ambulâncias que seguem para os hospitais CEMA, São Cristóvão e João XXIII; ou seja: no meio desta balburdia toda, "você não vale nada mas eu gosto de você" é só brinde!

    ResponderExcluir