terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Primeiro emprego

Meu primeiro emprego surgiu pela porta dos fundos. Era recém-formado na escola, aos 17 anos. Dois amigos que tinham estudado comigo estavam trabalhando em um escritório. Um deles passou subitamente a sentir uma ardência incômoda. Foi diagnosticado com hemorróidas. Topei cobrir o período de 30 dias em que ele estaria se recuperando, deitado de barriga pra baixo no sofá. Assim entrei no mercado de trabalho. Sem nenhuma glória.
Até hoje não sei muito bem o que faziam naquele lugar. Era um escritório que emitia certificados de qualidade ISO 9000 para a indústria naval. Mas, tanto faz. Não precisava me meter com isso. Minha atribuição mais importante era trocar o tonner da impressora. Além disso, separava correspondências, ia ao banco pagar contas. Era office boy. Na realidade, aquele mês representou pra mim uma extensão do período escolar, já que passava boa parte do dia fazendo brincadeiras e piadas de colégio. Uma das minhas diversões era ouvir colegas de trabalho contando sobre eventuais “favores sexuais” prestados pela faxineira no fundo do escritório. Ela, uma senhora, devia ter, na época, uns 65 anos. Não tinha um dedo da mão. Mesmo assim, fazia loucuras nos intervalos de trabalho. É o que dizem. Talvez a falta do dedo fosse o charme. Vai saber.
Meu chefe era uma outra figura interessante. Exercia ao mesmo tempo a função de economista e marceneiro. Tinha uma oficina recentemente inaugurada e vivia atrapalhado com a jornada dupla. Talvez por isso tenha me esquecido por duas horas e meia em um posto de gasolina em uma tarde de muito calor. A empresa tinha um Uno caindo aos pedaços que usavamos para serviços gerais. Eu ia pagar contas, mas o carro estava sem gasolina. Parei no posto, sem dinheiro. O caixa estava vazio. Abasteci e pedi ao frentista que aguardasse um pouco pois a grana estava chegando. Fiquei parado feito um poste até que alguém se lembrasse do “estagiário”.
Mas, isso não foi o pior.
O cara mais importante do escritório era conhecido por Engenheiro Bueno.
Ele estava em viagem quando consegui o emprego. Portanto, só o conhecia pela fama de carrasco.
Um dia qualquer, toca o meu ramal.
- Alô
- Alô, quem fala?
- Engenheiro Bueno. Me transfira para o ramal 3232.
Comecei a tremer imediatamente. Afinal, o carrasco estava na linha. Seco. Nem perguntou quem eu era. Participava de uma reunião em Londres. Eu nunca tinha transferido uma ligação na vida.
Já imaginam no que deu.
Bom, nervosismo vencido fui tomar um café. Na volta, meu colega com os olhos arregalados:
-Foi você quem atendeu o Engenheiro Bueno?
-Sim
- Ele estava puto no telefone! Disse que esperou na linha como um idiota por 5 minutos no meio de uma reunião em Londres, na frente dos caras da matriz. E queria saber quem o atendeu.
-Eu pensei que tivesse transferido a ligação, mas pelo jeito apenas coloquei o telefone no mudo!
Seria o fim de minha carreira? Sairia de lá como entrei, pela porta dos fundos?
Que nada. Ele voltou de viagem e nem se lembrou de mim.
Um mês depois, com meu amigo recuperado e sem aquela ardência incômoda, sai pela porta da frente.

domingo, 22 de novembro de 2009

O apagão

Onde você estava na hora do apagão? Essa foi, provavelmente, a pergunta mais ouvida assim que as luzes foram acesas naquela terça-feira, 10 de novembro. São Paulo ficou sem energia por mais ou menos 6 horas. Tempo suficiente para que, sem acesso ao computador e tevê e sem luz suficiente para ler livros ou folhear revistas, os moradores da cidade apagada pudessem entrar em contato consigo mesmo. Refletir.
Reunir a família para conversar em volta do castiçal e colocar o papo em dia até que a última vela perdesse aos poucos o brilho.
Confesso que não gastei esse tempo todo com profundas reflexões pessoais ou familiares, como insinua o texto.
Gastei meu tempo tentando entender porque algumas pessoas se revelam em momentos de anonimato. No escuro, por exemplo. Machões se requebram, o tímido se insinua para a gostosa, bem educados gritam o mais sujo dos palavrões, o pacífico inicia um quebra-quebra na casa da tia.
Lembram-se daquele apagão de 99? Foi mais ou menos como o deste mês.
Eu fazia faculdade de jornalismo em São Bernardo do Campo. Tinha cerca de 20 anos, como boa parte da classe. Éramos uns 80, mais ou menos. E tinhamos um comportamento correspondente com a nossa faixa etária, de jovens que acabaram de entrar na Universidade.
Mas um de nós era diferente.
Estava na nossa turma um rapaz que tinha quase 30 anos. O curso de jornalismo era o segundo universitário para ele, que já tinha cursado Direito. Trabalhava na área, inclusive, como advogado. Tinha uma postura um pouco mais distante, sem em nenhum momento, no entanto, parecer superior. Era mais maduro mesmo.
Não achava tanta graça nas nossas brincadeiras, não matava aula de Filosofia para jogar futebol de salão. Era um cara tranquilo, gente boa. Estava lá pra estudar. Só.
Na noite daquele apagão de 99 estávamos assistindo uma aula de Sociologia. Quem dava essa matéria era uma professora chamada Sullivan. Uma senhora com seus 60 e poucos anos.
Cabelos curtos, pintados de vermelho, penteados para cima. Batom vermelho também, sempre bem forte. Voz estridente.
A sala cheia. Estava muito quente naquele dia. Eu fazia um esforço tremendo para prestar atenção na aula quando tudo apagou.
Depois de uns 15 segundos de escuridão foi possível perceber que o problema não se resolveria imediatamente. Dava pra ver pela janela que São Bernardo estava apagada.
Na sala de aula um zum, zum, zum. Até que uma voz se sobressaiu.
- Chupa meu p...., Sullivan!
- Pega na minha e balança, Sullivan!
- Pega na minha rol....Sullivan!
Mas aquela voz...... Era o advogado, é claro!
Maduro, experiente, que não cabulava aula para jogar futebol de salão e não achava graça nas nossas piadas! Completamente descontrolado!
Gritando para uma senhora de 60 e poucos anos palavras que deixariam envergonhados atores do mais pesado dos filmes pornô.
Enquanto o advogado respirou para buscar mais alguma frase em seu repertório sexual, a professora dispensou a classe.
Fui embora assustado com a reação do advogado.
Que no dia seguinte, com as luzes acesas, estava lá.
Sentado, de óculos, anotando as orientações deixadas pelos professores na lousa, sem achar graça nas nossas piadas e sem cabular aula para jogar futebol de salão com os colegas.
Desde aquela dia passei a sentar um pouco mais longe dele.
Vai que acaba a luz.

sábado, 31 de outubro de 2009

Casamento

O período de preparação para um casamento é extremamente complicado. É muita coisa pra lembrar, marcar, provar, esquecer, desistir. Docinho, convite, música, etc.
Exige dos noivos fôlego de maratonista, elasticidade de ginasta e paciência de enxadrista. Eventualmente também o jogo de cintura do craque de futebol que dribla o mais temido dos zagueiros. Para escapar das enrascadas que vão surgir na longa trajetória até o altar. Situações que vão causar altas doses de constrangimento e vergonha como a que conto a seguir:
Minha angústia mais profunda era decidir logo onde fazer a festa.
Afinal, queria um espaço bonito, charmoso, barato, acolhedor. Só isso.
Então, digitei no Google "locais para festa de casamento em SP".
Apareceram umas mil respostas. De todos os buffets sugeridos, marquei visita em uns 20.
Mas, só fui mesmo em uns 5 ou 6. Deu uma preguiça imensa.
Entre os buffets que visitei, há um em que espero jamais aparecer novamente.
Foi um caso de antipatia imediata. Sabia que aquele não seria o lugar assim que estacionei o carro na porta. Sei lá. Era só um sentimento que se confirmou assim que a porta abriu.
Fomos recepcionados, eu e minha noiva, por uma rapaz muito educado. Mas muito educado mesmo. Sabem aquelas pessoas chatas, pegajosas, que pensam que estão agradando?
Era um desses. Tudo o que eu não precisava àquela hora da noite, com fome e cansado após um longo dia de trabalho.
Mal chegamos e o mala que guardava uma espécie de enciclopédia debaixo do braço começou a falar como uma máquina:
- Bem vindos a Vila Bizuki. A Vila Bizuki é um espaço que tem 80 anos. O piso é de madeira Batapuã, da Amazônia. Usamos no banheiro lavanda de rosas da França. Nossos funcionários são treinados no Centro de Treinamento da Vila Bizuki, de onde saem deliciosos quitutes.
Sem que pudessemos respirar, ele olha para o teto e dispara.
- Vejam esse lustre. É uma espécie de talismã para nossa família. Era do meu tataravô, Giuseppe Bizuki, que veio da Europa...blá, blá, blá, blá.
Naquele instante, o único desejo que passava pela minha cabeça era ver aquele lustre desabar no chão.
-Vocês terão agora o prazer de conhecer a Vila Bizuki!
Novas portas foram abertas, observo dezenas de casais sentados em uma série de mesas.
Era a chamada noite de degustação, em que todos os interessados em fazer o casamento são convidados para conhecer a casa. Ao mesmo tempo.
Pois bem. Sentamos na nossa mesa. Docemente constrangidos sem saber o que esperar, quando o chato começa a falar sobre comida:
-Nossa cozinha possue o requinte da alta culinária do Mediterrâneo. Terão o prazer de conhecê-la. Depois de visitarem todos os nossos ambientes.
Com fome, passei uns 50 minutos visitando salões, corredores, sacadas.
Vendo diferentes opções de decoração para cadeiras, diferentes formatos de velas.
-Vejam como fica a pista de dança com luz azul! Verde. Amarela. Roxa. Branca. Rosa.
Uma hora mais famintos, voltamos para a mesa.
-Agora vão conhecer as opções de serviço.
Começou a vir a comida. Salgadinhos, pratos quentes, doces.
- Enquanto degustam, vejam imagens de festas já realizadas aqui.
Ficaram na nossa mesa duas pequenas enciclopédias. Com umas 500 fotos cada.
Terminamos a degustação. O vendedor reaparece com um notebook.
Mas antes, diz em tom ameaçador:
-Daqui a pouco vamos testar a pista de dança.
O que será que ele quis dizer? Como será esse teste? pensei comigo.
-Vamos ver mais algumas fotos?
Recomeçou todo o sofrimento. Ele nos mostrou em um notebook dezenas de imagens de noivas saindo, noivas entrando, corredores com luz acesa, luz apagada, com flores jogadas no chão, sem flores jogadas no chão.
Bom, naquele dia conheci até o depósito de lixo da Vila Bizuki. Mas, o pior estava por vir.
-Vamos para a pista! ele gritou um pouco empolgado demais.
Não acreditei no que estava vendo. Fiz duas ameaças de deixar o recinto, mas fui demovido pela minha noiva.
Com as mãos no bolso e um peso imenso nas costas provocado pelo sentimento de derrota que me atingiu subitamente observo que todos os outros casais estão olhando pra mim.
De pé, no centro da pista, ficamos eu, o chato e minha noiva.
Ao nosso redor, uns 10 ou 15 casais com cara de "vergonha alheia".
O DJ começa a tocar um som de discoteca. E eu com as mãos no bolso. Pregado no chão.
Olho para o lado e o chato está dançando com os ombros. Tive vontade de agredi-lo.
Pedi para parar. Disse que já estava bom, mas ele queria mais.
Me fez atravessar toda a pista para encostar a mão na caixa de som e sentir a "vibe". Caixas que também vieram da Europa, segundo o chato que, por misericórdia, me deixou voltar para a mesa. Estava suado. Como se tivesse sido submetido a uma sessão de tortura.
Para encerrar bem a noite, ele faz um orçamento equivalente ao preço de um apartamento.
Mas disse que podia negociar. Claro, um cara tão legal, tão bonzinho.
Prometi avaliar e entrar em contato mais pra frente. Nunca mais apareci.
Mas, como bom chato passou a me ligar insistentemente.
Até um dia em que disse que não haveria mais casamento porque havia sofrido um acidente e o dinheiro reservado para a festa seria utilizado para comprar duas pernas mecânicas.
Nunca mais me ligou.
Chato!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tesoura da discórdia

Ser rejeitado não é uma experiência agradável. Em circunstância alguma. Em uma entrevista de emprego, pela garota mais bonita da escola, no time de futebol do bairro. Mas um “não” dói mais que outro “não”.
A relação de um homem com seu barbeiro é algo muito sério.
Transcende a tesoura, o pente, o esguichador de água.
Não é fácil deixar um outro homem acariciar sua cabeça, passar os dedos entre seu cabelo cheio de shampoo, massagear seu couro cabeludo.
É preciso entrega, confiança plena.
Por isso, corto o cabelo no mesmo lugar desde minha mais distante lembrança da infância. Desde que o dono do hoje “grande salão unissex” atendia em um pequeno cômodo em um posto de gasolina.
Acompanhei o crescimento profissional dele.
Vi o nascimento dos filhos dele. Depois, dos netos.
Nossa intimidade chegou a um determinado ponto que certa vez ele me chamou para ver no computador fotos da viagem que fez com a mulher para Natal.
Em todas estava vestido com uma mini sunga que desaparecia escondida por uma enorme barriga. O constrangimento por vê-lo vestido em roupas mínimas em cima de um buggy ou de um camelo nas dunas de Genipabu não foi maior do que o respeito pelo meu companheiro de tantos anos.
Pois bem. Estava no Morumbi um dia desses. Atolado em trabalho. Mas precisava cortar o cabelo. Estava dando voltas atrás da orelha. É horrível.
Sai correndo do trabalho pensando na tesoura correndo sobre minha cabeça pra lá e pra cá. Já me sentia mais leve. Nem pensei em marcar hora. Sou de casa.
Cheguei ao salão pouco tempo antes do fechamento e ainda na entrada me senti feliz em ver aquela figura tão conhecida. Já um senhor, alguns quilos acima do peso, cabeça branca, como que dançando em volta da cadeira onde alguém tinha as madeixas meticulosamente aparadas. Conhece aquele terreno como poucos.
Estendo a mão para um cumprimento e digo a frase de sempre que se tornou uma espécie de código nosso:
-E aí, vamos lá?
Pela primeira vez em trinta anos o notei com o semblante um pouco mais tenso.
E ouvi o que jamais imaginei ouvir um dia.
-Hoje não dá. Estou enrolado.
Foi como se um tijolo caísse nas minhas costas.
Como se ele tivesse cravado aquela velha tesoura no meu coração.
Na calçada, com os olhos ainda lacrimejando, prometi que jamais voltaria.
Meu cabelo dobrou a segunda volta atrás da orelha. Irrita demais.
Acho que vou dar uma nova chance para nossa amizade.
Mas desta vez, serie menos emotivo, mais racional. Vou marcar hora.
Quem sabe com o tempo as coisas não voltam ao normal.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nasce uma estrela

Que atire a primeira pedra quem nunca quis ser uma estrela da música, o líder excêntrico de uma banda de rock n´roll. Quem nunca cantou e dançou sozinho ao som de um CD qualquer. Quem nunca se imaginou quebrando uma guitarra alucinado com o fim de um grande show em um estádio lotado por mulheres seminuas que se contentariam com uma toalha molhada pelo seu suor. E minutos depois se deu conta que vai tomar uma bronca da mãe se continuar com os pés encardidos em cima daquele lençol branco dos Trapalhões que cobre sua cama.
A vida é assim, cheia de contrastes. Mas, para quem sonha com a fama, faço uma recomendação. Sigam sonhando. Uma hora o sucesso bate na sua porta.
De maneira muito modesta gostaria de informar que subi de patamar.
Estou agora entre os maiores e melhores do showbizz.
Minha estréia ocorreu faz uns 15 dias. Estava na platéia de um show dos Titãs no Citibank Hall, antigo Palace. Mal sabia eu que seria a última vez que estaria do lado de vocês, espectadores.
Sábado à noite, a apresentação estava rolando como programado.
Quando o show se encaminhava para o fim, parte do público que estava sentado em cadeiras se levantou e foi para frente do palco. Eu entre eles.
A banda começa a tocar um sucesso chamado Televisão. É aquela música que diz no refrão: “Ô Cride, fala pra mãe”. Tudo muito bom, mas algo estava diferente. Eu não sabia como nem porque, mas era minha hora de brilhar. Pois bem.
Vejo o tênis laranja de um dos vocalistas da banda caminhar em minha direção. Vejo o dedo dele apontado pra mim. Vejo o microfone na minha boca.Vejo todos me olhando.
Foram poucos segundos, mas deu tempo de pensar:
-Agora é a virada. Se me sair bem, nunca mais vou trabalhar das 8hs às 18hs, de terno e gravata. Vou virar popstar. Dar entrevistas, quebrar quarto de hotel, arremessar a tevê pela janela, dar escândalo no avião, agredir fãs, etc.
Enchi o pulmão e cantei sozinho a seguinte frase:
- E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais!!!!!!!
Foi incrível ouvir minha própria voz explodindo nas caixas de som, apoiada por bateria, guitarras e baixo de uma banda de verdade, dentro de uma casa de shows.
Eu nem acreditava naquilo. Por algum tempo fiquei me perguntando se tinha acontecido mesmo. Será que sonhei?
A surpresa foi rapidamente embora. Afinal, um artista como eu não pode se deslumbrar tão facilmente assim. Dali em diante teria que me acostumar com o assédio. Preparado para encarar esse desafio tentei ir ao camarim falar com meus novos colegas de trabalho, os Titãs. Queria dar o meu toque em algumas coisas que, enquanto artista, penso que poderiam ser melhoradas.
Não quiseram me receber. Entendo. O novo sempre assusta. Aguardo o contato para receber agenda de shows, apresentações na tevê. Preciso me programar.
Opa. Esperem um pouquinho, por favor. Estão me chamando.
Desculpem, vou ter que parar o texto por aqui.
Tenho que descer de cima da cama. Meus pés encardidos estão sujando o lençol.
A gente se vê por aí. Foi um prazer receber vocês mais uma vez. Valeu São Paulo!

sábado, 26 de setembro de 2009

Isso é impulso

Os índices elevados de colesterol no sangue diagnosticados em exames de rotina me recobraram uma reflexão antiga, que me acompanhou ao longo da vida. Com menor ou maior intensidade.
A necessidade de praticar exercícios físicos. Sou um multi atleta por formação.
Já fiz futebol de salão, judô, capoeira, vôlei, handebol, musculação, alongamento, natação, futebol de campo. Mas, se em alguma dessas modalidades durei mais de 90 dias, foi muito. Enjoa.
No meu íntimo, sabia que quadras, campos e piscinas não são meu habitat.
Assistir aos Jogos Olímpicos comendo uma pacote de bolachas no sofá já me deixa um pouco cansado. Minha natureza pede que permaneça sempre quieto, que me movimente lentamente e acondicione em minha cintura a maior quantidade possível de energia proveniente de alimentos extremamente gordurosos como salgadinhos, embutidos, pães, refrigerantes e doces.
Mas, com o passar do tempo, a conta fica cara, como mostraram meus exames.
Até sair do médico ainda tinha a esperança que ele me mandasse ficar ainda mais distante dos exercícios. Para não forçar o coração, ué! Que nada:
-Você precisa retomar atividades físicas imediatamente.
Como já tinha me matriculado na academia umas 12 vezes na última década e gastei por lá em multas para cancelamento daqueles planos anuais uma quantia que talvez me permitisse hoje comprar um apartamento, logo descartei a idéia.
-Vou correr na rua!
Beleza. Tentei fazer isso à noite, na volta do trabalho. Não foi possível. O sofá é muito mais atraente depois de 10 hs de trabalho. Nem que um guindaste me carregasse pra fora conseguiria me exercitar.
Resolvi então que tentaria outra forma. Correr logo cedo.
Antes de dormir me lembrei de um artigo do médico Drauzio Varella em que ele contava que se parasse pra pensar antes de sair pra correr de manhã, voltava pra cama.
O relógio desperta. São seis de manhã. Evito qualquer pensamento, sobre qualquer coisa.
Sem escovar os dentes ou pentear o cabelo, visto o shorts, calço o tênis e saio correndo.
Só acordei mesmo depois de uns 5 minutos de corrida:
- O que estou fazendo? Pra que todo esse esforço?
Mais cinco minutos e avisto um mendigo dormindo como um bebê na marquise de uma loja ainda fechada. Por alguns instantes passa pela minha cabeça a possibilidade de sacar 5 reais do bolso, pagar por uma beirada no cobertor e dormir alí mesmo, na esquina, até o trânsito me acordar.
Mais cinco minutos e me lembro daquelas reportagens com depoimentos de gente viciada em corrida, que sofre crise de abstinência quando não se exercita:
-Porque não comigo? Porque me viciei em frituras, não em corrida?
Cinquenta minutos depois estou de volta. Revigorado, feliz por ter vencido meu próprio limite.
Já pensando em fazer o mesmo percurso em um tempo menor no dia seguinte.
Portanto, se algum dia cruzar às 6 da manhã com alguém correndo com os olhos fechados, camiseta de pijama, shorts, cabelos pro alto e bafo de travesseiro, sorria
Isso é impulso!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vamô virá!

Contei essa história rapidamente no Sofá Bandeirantes do último domingo, mas como o tempo é curto no rádio, volto ao tema com mais espaço.
Recuamos para 2006. 31 de março. Aproximadamente duas da tarde de um dia de céu nublado e calor. Estava na sede da prefeitura de São Paulo. Edifício Matarazzo. Aguardava ansiosamente uma definição sobre o meu futuro. Isso mesmo. Afinal de contas, tinha um rotina há dois anos que seria inevitavelmente quebrada naquele dia. A ruptura se daria com a renúncia do então prefeito da cidade. Durante dois anos meu trabalho como repórter foi acompanhar a agenda de José Serra. Com a proximidade do período limite para que os candidatos deixassem os cargos que ocupavam se quisessem disputar a eleição daquele ano a ansiedade cresceu. Serra vai renunciar. Será candidato a Presidência?
A novela se arrastou por meses. Todos sabíamos que teria um final, qual seria o final.
Só não sabiamos quando e onde. Só isso.
Às duas da tarde do dia 31, já com o estômago desgastado pelo constante sentimento de ansiedade, chega a informação de um assessor do prefeito:
-Sigam para o Anhembi. É lá. É já!
Foi a senha para uma correria tremenda. Os jornalistas se atropelavam.
Enquanto tentava pular por cima de algum colega, pensei:
-Porque tão longe? Será que vai dar tempo de chegar? Qual o caminho mais curto e rápido? E se eu perder o anúncio?
Os carros dos jornalistas estavam estacionados no calçadão em frente a sede da prefeitura.
O espaço, no entanto, estava ocupado por uns 4, 5 mil manifestantes.
Eram professores da rede municipal. Tantos que só se via o capô dos carros.
Animados por um caminhão de som, pediam aumento de salário.
Para encontrar a saída em meio a multidão os motoristas decidiram sair em comboio do calçadão. Como o número de veículos era grande, os manifestantes abriram caminho.
Perdi a comitiva enquanto guardava a bolsa no porta-mala.
Tive que atravessar sozinho um mar de professores raivosos.
Que não queriam me deixar passar, embora meus apelos fossem tão dramáticos quanto os de um ator mexicano:
- Por favor gente. Sou trabalhador como vocês!
Compreensão zero. Um deles, que parecia o Tony Garrido, do Cidade Negra, quebrou o retrovisor do lado do passageiro. Os outros gritavam:
-Imprensa vendida! Burguês! Aqui não passa!
Consegui visualizar a rua uns 5 minutos depois.
Quando estava convencido de que sairia vivo dalí, dei de cara com um mini poste de concreto.
O jeito? Dar ré. Mas no meio de todo aquele povo? Sim, isso mesmo.
Irritados com minha manobra eles começaram a bater com bandeiras de plástico no carro e gritar:
- Vamô virá, vamô virá, vamô virá!
A essa altura confesso que já tinha entregado os pontos.
Só pensava em uma forma digna de chegar na rádio e pedir as contas.
Obviamente, depois de o Corpo de Bombeiros desvirar meu carro e me remover de lá.
Eis que uma voz, do alto do caminhão de som dos grevistas pede calma.
Pensei que fosse Deus, tamanho era meu desespero.
Mas não. Era o presidente do Sindicato dos Professores.
Como Moisés abriu o Mar Vermelho para o povo de Israel, um caminho se abriu pra mim no calçadão da prefeitura.
Voando, cheguei ao Anhembi a tempo de acompanhar a renúncia ao vivo.
Amém.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Criptonita

Algumas coisas bobas, aparentemente fáceis de serem feitas,
dão muita preguiça. Duas em especial me causam repulsa.
Tirar dinheiro no caixa eletrônico e colocar gasolina no carro. Chega a dar ânsia.
Sendo assim, minha carteira e o tanque do meu carro vivem vazios.
Com freqüência pago contas de R$ 1,20 ou R$ 2,80 com cartão de débito.
Finjo que nem percebo a cara feia do comerciante que, com essa quantia, não deve sequer pagar a taxa da administradora do cartão. Azar o dele.
Já emiti, inclusive, um cheque de três reais em um pedágio da Ayrton Senna.
Disse ao funcionário que a única alternativa seria voltar de ré até São Paulo, já que ele não me deixou fazer um retorno.
O caixa funciona pra mim como a criptonita para o Super-Homem. Tira a força.
Parece que estou desperdiçando tempo de vida enquanto teclo senhas de letras, números, etc. Sinto como se a portinha por onde saem as notas fosse se abrir e uma mão me acertará um murro na boca do estômago.
Por raiva é que minhas senhas são todas palavrões. Algumas, menores. Por exemplo: Senha de duas letras: C-U. Senha de três letras: F-D-P ou P-Q-P.
E o tempo que se perde em postos de gasolina?
Geralmente percebo que o carro está seco de manhã quando estou atrasado e tenho que optar: café da manhã ou álcool? Tomar banho ou pôr gasolina?
Sempre tive orgulho de circular dias com o tanque zerado.
Me sentia superior, mais seguro e esperto do que os bobos que se assustam quando a luzinha vermelha acende no painel.
Até semana passada, quando o carro apagou na JK. Sexta-feira, 17h30.
Pensei que nunca fosse acontecer comigo. Meu parceiro me deixando na mão?
Tentei fazê-lo funcionar em vão. Sorte que um sujeito parecido com o Rolando Boldrin e um motoboy me ajudaram a empurrá-lo até a calçada.
Comprei um pouco de álcool no posto.
O coitado bebia como se fosse um camelo que atravessou o deserto.
Ah, ia me esquecendo. O saquinho de álcool custou R$ 4,00.
Paguei com cartão de débito.
P-Q-P.

domingo, 6 de setembro de 2009

Supermercado

- Iogurte sa-sabor de amora... só R$ 0,75...não pe-perca....já tem gente le-levando de caixa...vai acabar ra-rapidinho...
Foi a primeira coisa que ouvi no sistema de som do supermercado.
O anúncio do locutor meio gago era um prenúncio do que viria a seguir.
Faz tempo que deixei de freqüentar as lojas das grandes redes.
Prefiro as pequenas vendas perto de casa, mas dia desses precisava comprar algumas coisas que só encontraria lá.
O arrependimento bateu já na chegada. Uma vontade incrível de deitar ali mesmo, na esteira rolante.
-Quanto tempo mais consigo sobreviver com aquele meio copo de requeijão, cebola, alho e água que tenho em casa?
Convencido de que não poderia deixar a preguiça vencer, peguei logo um carrinho.
Meio manco de uma rodinha, mas é com ele mesmo que vou em frente.
O locutor gago é uma espécie de guia turístico. É como aquele cara que toca a flauta e hipnotiza a cobra. A cada promoção anunciada, vê-se uma mini corrida de carrinhos.
Velhinhas se espremendo aqui, respeitáveis senhores se acotovelando acolá.
Bisteca de porco, piscina regan, pen drive, espuma de barbear, pilha palito.
Não importa o produto, se precisa ou não dele.
Vale o prazer imediato de sentir que estamos comprando qualquer coisa por um preço menor do que efetivamente custa.
Para fugir desse risco é que tento fazer compras sempre o mais rápido possível.
Mas nem sempre consigo. Tem muita gente folgada no supermercado.
Largam o carrinho no meio do corredor e ficam olhando para a caixa de Sucrilhos como se fosse um diamante.Tira o óculos, olha a lista, põe o óculos, olha o Tony, pega o Sucrilhos, balança, larga o Sucrilhos.
Vencida a sedução das promoções e o congestionamento chega o momento mais delicado dessa odisséia.
A escolha do caixa em que se vai pagar as compras é sempre difícil. As filas são longas.
Então, é preciso usar a sensibilidade, o sexto - sentido, ouvir o que o coração tem a dizer.
Fazer uma relação entre a cara do sujeito, a quantidade de objetos no carrinho, a provável habilidade para empacotá-los rapidamente. É um desafio.
Na minha primeira opção, uma rapaz oriental,com cabelo tingido de loiro e rabo de cavalo, usava uma papete nos pés e pochete na cintura. O único produto que ia levar era um coleira de cachorro. Devia ser um cãozinho pequeno. Poodle, chihuahua.
Apesar disso, senti que não era uma boa. Meu coração era quem estava falando.
Optei por uma fila ao lado.
Na minha frente uma mãe com o filho, já com seus 25 anos, camisa da seleção e boné virado pra trás.Foram rápidos, como modéstia a parte, já havia previsto.
Nesse curto espaço de tempo, porém, pude notar como os supermercados tentam disfarçar a pequena oferta de funcionários para os caixas. Todas as filas têm uma tevê. Na minha passava um programa sobre Amsterdam. Palavra da apresentadora:
- Você precisa conhecer Amsterdam. Politicamente avançada, culturalmente agitada e multiétnica. Fui acordado da minha viagem para a Holanda pela cliente atrás de mim que falava ao celular e levava entre muita bebida, dois sacos de carvão:
-Ninguém chegou pro churras? Marquei pras três horas, meu!
Minha hora de pagar. No caixa do lado direito, a demora do japonês causava uma fila enorme.
Ele já tinha sacado uns 8 cartões da pochete e nenhum dava certo. Minha intuição não falhou, modéstia a parte, mais uma vez.
No do lado esquerdo, um daqueles empacotadores idosos contratados pelo supermercado.
Cabelos brancos, mãos trêmulas, mas um olhar desafiador. Como se desprezasse a capacidade de um jovem inexperiente como eu.
-Ah, velhinho. Vai ver o que é bom pra tosse. Pra sua tosse!
Começou o duelo e meus dedos deslizavam como nunca entre os saquinhos de plástico.
Embora tentasse me acompanhar, o senhor viu que a competição era desigual.
Estava inspirado. Queria me superar e mostrar como se guarda compras com rapidez.
Com a mesma agilidade, digitei a senha do cartão e fui embora cantando rodinhas do meu carrinho manco.
Sacolas no porta-malas, agora só ir embora. Não volto tão cedo.
Mas a cancela que guarda o estacionamento não abre. Um funcionário aparece minutos depois.
- O senhor validou o tíquete?
-Nunca precisei fazer isso!
- Pois é, mas desde o mês passado adotamos esse procedimento pra evitar a utilização irregular do nosso estacionamento.
- Mas gastei uma grana em compras aqui!Está tudo aí atrás!
-Desculpe senhor. Sem a validação do tíquete no balcão ao lado do McDonald´s a cancela não abre.
Ouço uma buzina.
No carro de trás está o japonês, com cabelo tingido de loiro e rabo de cavalo, que usava uma papete nos pés e pochete na cintura. Está impaciente com minha demora. Fazer o quê?
Enquanto estou esperando o carimbo no papel vejo de novo aquele olhar desafiador que pensei ter deixado para trás.
Com um sutil sorriso no rosto, ele guardava com as mãos trêmulas a gorjeta que acabara de ganhar.
Haverá revanche e verá o que é bom pra tosse. Pra sua tosse!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A massagem

As dores nas costas têm aumentando nos últimos dias.
Dói pra agachar, carregar peso, ficar sentado muito tempo e por aí vai.
Sempre que me queixo ouço a mesma recomendação da minha noiva:
- Vai fazer uma massagem, melhora na hora. Conheço um lugar ótimo!-
Conselho atendido, horário marcado para o sábado, 11:15.
Confesso que na sexta já fui dormir arrependido pensando no trabalho de acordar cedo, no frio que estava fazendo, etc. No fundo queria uma desculpa pra escapar.
No sábado de manhã ameaçei desmarcar o horário duas vezes,mas resolvi pagar pra ver, literalmente. A massagem foi feita em um clube como Pinheiros, Paineiras, por exemplo.
Na recepção, tivemos que justificar nossa entrada.
Minha noiva anunciou com extrema frieza:
-Viemos para a massagem.
- Não fala alto assim! Tem gente olhando!
Senti um olhar de censura do segurança que retrucou:
- Os dois?
Sem que ela visse fiz por trás um sinal para o segurança, apontando para minha noiva como se dissesse por telepatia ao porteiro:
- Que é isso, rapaz! Massagem? Eu, não. Só ela. Vim jogar bola. Sou zagueiro.Média de 32 faltas cometidas por jogo!Um animal!
Sem parte do meu orgulho que ficou na catraca com o segurança fui para uma sala onde me deram uma toalha. Quando virei as costas a moça me perguntou:
- Não vai querer seu amendoim?
Amendoim? Pra quê? Vão me embarcar em vôo da Gol? Posso escolher a barrinha?
- O amendoim não vai deixar sua pressão baixar caso queira fazer sauna depois.
Com minha toalha e meu pacote de amendoim me despedi da minha mulher e fui para uma outra sala, onde tinha uma maca.
Minutos depois chegou a massagista.
Uma pequena e simpática japonesa que se apresentou e me disse:
- Meu nome é Uehara. Vou pegar as coisas e volto já. Pode se preparar. Fique à vontade.
O que ela quis dizer com fique à vontade? Tiro a roupa? E se não for isso? Imagine o susto dela ao me encontrar pelado na maca? Vai chamar o segurança!
Por via das dúvidas permaneci vestido fingindo que estava ocupado demais mexendo no celular.
A massagista, srta. Uehara, voltou e me orientou:
- De cueca, por favor.
A massagem começou pelo braço, altura do cotovelo.
Srta. Uehara apertou um ponto que deve conter toda a tensão do meu corpo.
Se já não estivesse deitado, ajoelharia. Os olhos lacrimejaram. Parecia uma cena daqueles filmes de luta em que o mocinho pressiona com um dedo o ombro do bandido que cai imediatamente.
Quinze minutos depois já estava besuntado por um óleo com cheiro de eucalipto.
Quando Srta. Uehara chegou nas costas eu estava quase dormindo, mas fui acordado quando ela disse:
- Nossa! Está muito tenso. Espere um pouco.
Onde ela foi? Chamar o Sr. Uehara. Uma junta médica? Vão me fotografar para estudos universitários?
Ela voltou com um equipamento que suga o músculo,como um desentupidor. E avisou:
- Vai ficar vermelho por uns dias.
Pensei comigo:
- Que bom. Agora vou parecer uma bala Soft de menta ambulante com manchas vermelhas nas costas. Tudo bem!
Procedimento encerrado. Luzes acesas. Rápida despedida, ainda de cueca.
Na saída, talvez relaxado um pouco demais,esqueci a toalha e meu amendoim.
Não deu pra tomar banho. Fui embora com um forte cheiro de eucalipto.
O suficiente para atrair alguns coalas famintos quando parava no semáforo.
Era tanto óleo que os pés escorregavam dentro do tênis.
Muito stress para um sábado de manhã.
Acho que preciso de uma massagem.
- Alô, srta. Uehara?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Malandragem

Três jovens foram flagrados por seguranças pichando muros de uma empresa na Mooca no fim de semana passado.
Tomaram uma bela “coça”. Aliás, com uma boa dose de excesso.
Ao invés de acionar a polícia, os seguranças perseguiram os adolescentes com um cachorro que mordeu um deles, atiraram para o alto apenas para “assustar” e, antes de obrigar o bando a fugir correndo pela linha de trem, apreenderam o spray e picharam o corpo dos rapazes.
Pichação é algo que deixa qualquer cidade mais feia, com aspecto de abandono.
Contribui para a degradação urbana.
Afinal, o vândalo se sente mais estimulado a destruir algo que já está mal cuidado.
Foi com essa teoria debaixo do braço que o histórico prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, recuperou a cidade. É preciso deixar de tolerar a pequena contravenção, como a pichação por exemplo, para inibir crimes tidos como mais importantes.
O caso da Mooca deixa claro, no entanto, um exagero de gente mal preparada que se sente acima da lei e acha que deve fazer justiça com as próprias mãos.
Que com uma arma e um rádio passa a se sentir policial e juiz ao mesmo tempo.
Mas esse episódio me fez lembrar que todos estamos sujeitos a errar.
Com uns 12 anos tinha um amigo que era um mau elemento.
Eu nunca fui, mas durante um período, achei que podia ser.
Compramos um canetão e combinamos de pichar uns muros no bairro.
Saímos juntos, mas nos separamos na rua para não levantar suspeita.
Nos encontramos meia hora depois para um balanço da contravenção.
Meu companheiro indicou umas dez paredes no bairro que tinham a assinatura dele: BEX.
Não sei de onde tirou esse apelido, mas achei o máximo.
Eu só tinha uma. O muro do meu próprio prédio. E adivinhem o que escrevi?
Meu próprio nome! Um gênio da contravenção! O Ronald Biggs da pichação!
Tomei uma dura do cara. Ficou evidente, se é que ainda tinham alguma dúvida, que eu não era o malandrão que julgava ser.
Tive que reiniciar a pichação para dar um jeito de disfarçar meu próprio nome e apagar vestígios da auto incriminação.
Ficava circulando pela calçada da minha casa tentanto bolar algo. Como fui tão ingênuo?
Olhava para o alto para ver se minha mãe não estava na janela, para o lado para ver a cara de desprezo do meu amigo pichador e me agachava para fugir do porteiro e camuflar meu erro.
De RAFA mudei a inscrição para BARATA.
O “T” era na realidade um “F” disfarçado que não consigo reproduzir aqui.
Depois disso aposentei o canetão.
E hoje me considero um sujeito de sorte por não ter encontrado um segurança louco pela frente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Uns diferentes dos outros

Uma banana.
Foi o que vereadores paulistanos deram para a Lei Cidade Limpa. Pior.
Para todos os bobos que gastaram dinheiro para reduzir anúncios, correram para adaptar fachadas, arrancar banner.
A Câmara Municipal aprovou ontem um projeto que libera a propaganda política em São Paulo durante o período eleitoral.
Ou seja, eles poderão pregar faixas, pintar muros, colar cartazes.
Tudo o que você não pode.
Nada mais primitivo e oportunista.
Os vereadores de São Paulo mostram que aprenderam bem a cartilha rezada em Brasília resumida com perfeição em uma frase dita por Lula quando surgiram as primeiras denúncias contra José Sarney:
- Sarney não pode ser tratado como um pessoa comum – bradou o presidente.
Os vereadores paulistanos também. São melhores que nós. Podem mais que nós.
Mostraram isso ontem.
A Lei Cidade Limpa foi um avanço em São Paulo, mesmo em nome dela tendo ocorrido excessos. O prefeito Kassab, mentor do aplaudido projeto, se rendeu aos apelos dos vereadores e defendeu a iniciativa deles em ignorar a cidade.
Disse que uma lei municipal não pode sobrepor uma lei federal que disciplina a propaganda política.
Mesmo que seja assim na frieza das leis, os vereadores perderam mais uma grande chance.
De dar um exemplo de respeito pela cidade e abrir mão de emporcalhar São Paulo.
Resta agora ao cidadão que gastou dinheiro para reduzir anúncios, correu para adaptar fachadas e arrancar o banner guardar bem a carinha dos candidatos.
Não se preocupe. Elas estarão espalhadas por aí.
Dê o troco.
Eles não respeitam você. Eles não respeitam São Paulo. E não merecem seu voto.

domingo, 16 de agosto de 2009

Oi?

O teste de audiometria serve para verificar a qualidade da audição de um indivíduo. O cidadão fica em uma cabine fechada com um fone no ouvido. Do outro lado, observando o paciente por um vidro, o médico.
Dia desses tive uma gripe forte. Nariz congestionado, tosse, essas coisas.
Como em tempo de gripe suína não dá pra saber se focinho de porco é tomada procurei um médico que suspeitou que estivesse entre outras coisas com secreção no ouvido esquerdo. Fui ao teste. Já tinha feito outras vezes. Foi quando constatei uma leve perda de audição justamente no ouvido que seria examinado. A deficiência é leve, mas suficiente para que eu sempre responda com um “hã?” ou “hein?” quando alguém fala comigo pelo lado esquerdo.
De volta para a audiometria me acomodei na cabine com isolamento acústico total. Na minha frente, a médica. Me deu um aparelhinho para segurar com um botão na ponta. Cada vez que ouvisse um sinal, deveria apertá-lo.
Enquanto o teste não começava pensei no seguinte:
Imagine se estiver mesmo com esse negócio. O que vão fazer? Lavagem no ouvido? Vai doer muito. Terei que tomar remédio por quanto tempo? Vai dar um trabalho danado.
A cabeça viajando e nada do exame começar. Ou será que ela já está emitindo os sinais e não estou escutando? Minha surdez piorou? Assim que sair daqui vão enfiar uma mangueira na minha orelha com uma jato de água tão forte que vai sair pelo outro lado, como em desenho animado?
Bom, vamos ao teste. Os sons começam em um tom alto. Sem problemas. Sucesso total.
Com o tempo fui percebendo que a médica emitia os avisos sempre com o mesmo intervalo de tempo. Um, dois, três, pi – quatro, cinco, seis, pi. O volume foi diminuindo aos poucos.
Mesmo sem ouvir absolutamente nada apertava o meu botão imaginando que ela faria a parte dela também. Um, dois, três, pi - quatro, cinco, seis, pi.
É isso mesmo.
Resolvi colar, fraudar a audiometria para evitar lavagem, remédio, essas coisas.
Não deu certo.
O exame constatou a suspeita do médico.
Nada que um bom antibiótico não resolvesse.
Fraudar um exame médico é uma das atitudes mais estúpidas que alguém pode tomar.
Mas quem gosta de remédio, lavagem no ouvido?
Hein? Hã?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Vizinho

Uma construtora está vendendo apartamentos em um prédio no Brooklin idealizado para estimular a confraternização dos vizinhos.
A matéria foi publicada na “Veja São Paulo” faz uns 15 dias.
Entre outros “facilitadores para convivência” há logo na portaria um mapa com a caricatura de cada morador e a descrição das características pessoais mais marcantes de cada um deles.
Sociável, introvertido, corintiano, gosta de tomar sol na piscina, usa pé de pato, ouve música clássica, tem mau hálito, etc.
Além disso, cada apartamento dispõe de um equipamento luminoso semelhante a um semáforo. De casa é possível acionar um painel que fica no térreo com luzes verde, amarela e vermelha. As cores variam de acordo com o estado de humor e a vontade de interagir com a comunidade local.
Verde, tudo bem. Venham até minha casa.
Vermelho, não passe aqui nem de elevador.
É um conceito interessante, especialmente para pessoas mais velhas que moram sozinhas. Mas, é impossível não imaginar como deve ser chato.
Certamente há um morador que vive feliz, de bom humor. Luz sempre verdinha.
É ele quem vai querer bater papo no elevador às 6h30 da manhã enquanto você só pensa em dormir mais 5 minutinhos dentro do carro na garagem.
É ele quem se oferece em plena terça-feira para organizar um churrasco no sábado durante o jogo do São Paulo(credo!) enquanto você só pensa em chegar em casa e comer o resto de arroz com feijão que sobrou do almoço.
Vizinho, salvo raríssimas exceções, causa problema.
Tinha uma no meu prédio que passava o dia na janela esperando uma criança pisar na grama. Se pisasse, ligava pra mãe descabelando.
Outra, da casa ao lado, furava as bolas que caiam no quintal.
Vinte anos depois ainda deixo meu cachorro fazer xixi no portão dela.
Me sinto vingado quando a vejo lavando a calçada. Quem mandou ser ruim?
No prédio onde moro atualmente tiveram que pregar um aviso no elevador pedindo que parassem de jogar preservativos pela janela!Consta em ata de reunião.
Como seria a caricatura desse rapaz que dispensa a camisinha assim?
Proibida para menores de 18 anos, certamente.
Vizinho é isso. Vizinho é assim.
E a sua luzinha? Está verde, amarela ou vermelha?

domingo, 19 de julho de 2009

Fazemos qualquer negócio

Os moradores e turistas que visitaram Nova York tiveram uma belíssima surpresa em pleno horário de almoço na segunda-feira passada. Milhares de pessoas foram surpreendidas por um show relâmpago de Paul McCartney na marquise do Teatro Ed Sullivan, palco da primeira apresentação dos Beatles na tevê americana, em 1964. 45 anos depois, o show, no mesmo lugar, foi exibido no programa de entrevistas de David Letterman, um dos mais populares do país.
Impossível mensurar a sensação de quem passava por lá ao ser abalroado pela voz mágica do ex-Beatle. Imagine-se caminhando na rua com aquele colega chato do trabalho na volta do almoço, calor, terno suado, barriga cheia, sono, pronto para mais uma tarde entediante no escritório, louco para ver o relógio chegar às 17hs e, surpresa!
Inevitável pensar como seria algo assim aqui em São Paulo, no nosso cotidiano. Com que artista? Em que marquise? Pensando em diversas possibilidades me lembrei de um encontro inusitado que assisti dia desses. Um frio danado em São Paulo, parei na padaria perto de casa para um café depois do trabalho. Sentado no balcão, notei em uma mesa dois rostos conhecidos, mas nem tanto.
São aquelas pessoas que você sabe que já viu, mas não se lembra se são os balconistas da farmácia, um antigo professor de inglês ou o vizinho que não queria devolver a bola que caiu no quintal. Um pouco de esforço e me lembrei do primeiro. Era o cara que fazia o Samuel Blaustein, da "Escolinha do Professor Raimundo".
Que usava o bordão: - Fazemos qualquer negócio.
O ator se chama Marcos Plonka, é um comediante com carreira de sucesso, embora esteja afastado da tevê de uns tempos pra cá.
O outro me deu um pouco mais de trabalho. Sabia que era cantor de samba. Agepê? Não, já morreu. Paulinho da Viola?Martinho da Vila? Tobias da Vai-Vai? Não, não, não.Recorri ao chapeiro da padaria que me disse: -É o Luiz Ayrão, rapaz!
Fui ao Google e descobri que ele é um tradicional músico carioca, ligado a Portela, e já teve até uma música gravada por Roberto Carlos chamada "Ciúmes de Você", popularizada anos depois pelo grupo Raça Negra. Já vendeu milhares de discos embora também esteja afastado da mídia faz algum tempo.
Confesso que fiquei absolutamente curioso naquele dia. Liguei para amigos e família para contar o encontro inusitado que estava vendo. Fiquei pensando em como eles ficaram amigos? Certamente nos bastidores de shows, apresentações em tevê. Do que eles estão falando? Será que estão recordando os tempos em que eram grandes estrelas, famosos, apareciam na Globo, davam autógrafos? Agora estão aqui, sentados em uma padaria comum, frequentada exclusivamente por anônimos, perto da minha casa, tomando sopa, sem provavelmente terem sido reconhecidos por ninguém! Muito cruel. Vou propor ao dono da padaria que anime a hora do almoço no bairro com um show na marquise: Luiz Ayrão e Marcos Plonka. Samba e piadas.
Quem sabe um dia Paul McCartney não passa perto de casa e pede uma sopa de mandioquinha.
Dizem que virá ao Brasil em 2010.
Até lá, fazemos qualquer negócio.

domingo, 28 de junho de 2009

O ar puro dos inocentes

Sábado acabei com um sofrimento que durava alguns meses. Levei meu carro para a inspeção veicular. É uma verificação obrigatória imposta pela prefeitura para determinar a quantidade de poluentes que o veículo libera na atmosfera. Pode até ser importante para salvar o meio ambiente, diminuir o aquecimento global, aumentar o tempo de vida dos ursos polares, mas daí a ter que acordar cedo no sábado dá uma preguiça danada.
Toparia passar um tempo respirando um escapamento de caminhão do que deixar a cama quentinha naquela hora.
Mas, como é obrigatório, desta vez marquei e fui.
Afinal, era o fim do prazo para automóveis com placa final 3.
Paguei a taxa de R$ 54,00 e cheguei no horário marcado ao posto na Via Anchieta.
No caminho até lá adquiri uma certeza: eu seria reprovado.
Iria pagar por nunca ter sido um bom companheiro para meu carro. Chegou a hora da verdade!
Água no radiador, troca de óleo do motor, revisão dos 10 mil quilômetros. Nada.
Além disso, tenho o hábito de tentar ver até onde o coitado anda sem combustível.
Meu recorde foram 3 dias com o tanque na reserva. Não é à toa que o chamo de camelo.
Não passava perto de um lava-rápido fazia uns dois meses.
Havia tanto jornal jogado lá dentro que em um deles deve ter foto do Zacarias com cabelo, matéria sobre a primeira aula de musculação do Stallone, etc.
No capô, ainda estava viva a lembrança de um passarinho que deve ter comido uma feijoada antes de escolher o local onde testou o funcionamento do aparelho digestivo.
Mas, enfim, cheguei ao posto de atendimento na hora marcada.
Um funcionário com uma máscara no rosto me pediu que saísse do carro e andasse pela linha amarela até umas cadeiras onde o pessoal espera o fim da inspeção.
Já me senti sendo avaliado a partir daquele momento.
Tentei não pisar fora do caminho determinado, embora o sono ainda me deixasse zonzo.
Me sentei e permaneci em silêncio. Para que nada fosse usado contra mim.
No box número 4 estávamos eu e uma mulher com um Peugeot.
Começou o exame. Ligaram uns fios do meu carro para um computador.
Nessa hora pensei: - Me pegaram! Rodei!Acabou pra mim!
Olharam a parte debaixo do veículo com um espelho, como se estivessem em busca de armas, drogas, contrabando. Estava esperando que trouxessem um cachorro pra cheirar minhas calças.
O "avaliador" então olhou para a tela. Tentei interpretar o que o rosto dele queria dizer.
Será que passei? Repeti? Ele só demonstrava frieza. Nenhum músculo da face se movia.
Um outro funcionário se aproximou e perguntou:
- O Peugeot é seu? Respondi que não. Ele então foi até a mulher que estava comingo no box 4.
Enquanto procurava os óculos para enxergar bem a reação dela ao resultado do teste os dois sumiram. Será que ela foi reprovada? Raptada pela Controlar, empresa que faz a inspeção?
Será agora entregue ao prefeito e exibida para a cidade em evento público como culpada pelo aumento da concentração de enxofre no ar paulistano? Terá qua andar pra sempre com um rabinho de gambá pregado na saia como punição? Boa sorte pra ela.
Minutos depois me chamaram. O rapaz me entregou um pequeno documento e disse:
- Está tudo certo! Está vendo esse selo verde? Vou pregar no vidro. É bom não tirar.
Estava tão feliz que deixaria ele tatuar o selo no meu braço!
Foi como se tivesse sido livrado de acusação por crime ambiental.
Ao invés da cadeia, iria para a padaria tomar café da manhã em liberdade.
E respirar o ar puro que só os inocentes podem sentir.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Abelhudo

São Paulo possui centenas de salas de cinema. É a maior oferta do país.
Mesmo assim, faltou lugar durante o fim de semana prolongado.
Em uma das duas tentativas de assistir a um filme qualquer para atenuar as dores do plantão do feriado me lembrei de um caso “abelhudo”.
Faz mais ou menos um ano fui assistir a estréia de Bee Movie em um shopping da cidade.
O filme é uma animação criada por Jerry Seinfeld que conta a vida de uma abelha que se comporta como gente e estimula uma greve nas colméias americanas ao descobrir que os humanos roubam e vendem o mel que produzem com muito suor e trabalho. Apesar de parecer, não é um filme exclusivamente para crianças.
Escolhi a sessão legendada de um sábado à tarde. Estava sozinho. Consegui minha poltrona predileta – a primeira da fila para esticar as pernas no corredor e/ou conseguir escapar mais rápido em caso de incêndio ( quem não tem paranóia?).
Minutos depois chega um outro rapaz com um saquinho de doces comprados nas Lojas Americanas, um refrigerante e pipoca. Senta-se na mesma fileira que eu, umas três cadeiras pra lá. O destino dele, o meu e o de uma família que também acabara de chegar iriam se cruzar minutos depois. Começa o filme. Expectativa. Foram dez anos de espera até uma novidade produzida por Seinfeld. De bate-pronto uma das crianças da família que citei acima começa a chorar. Tinha uns 3 ou 4 anos. Depois, pula do colo da mãe para o do pai como se tivesse um ferrão espetado no bumbum.
Próximo passo: o garotinho conversa com a irmã, um pouco mais velha.
Nada que atrapalhasse demais. É claro que se fossemos levar as coisas ao pé da letra a família deveria ter assistido a sessão dublada. Mas, bola pra frente.
A criança botou novamente a garganta para trabalhar, o choro se intensificou e a mãe, constrangida, decidiu sair da sessão para alívio geral da platéia.
Quando ela levantou, o rapaz do saquinho de doces gritou:
- Até que enfim! Se toca! Some daqui! Vai pra sessão dublada!
A mãe se descontrolou. Largou a criança no chão e quis partir pra cima do rapaz dos doces.
Mas antes teria que passar......por mim.
Quem mandou sentar na poltrona predileta - a primeira da fila para esticar as pernas no corredor e/ou conseguir escapar mais rápido em caso de incêndio? (quem não tem paranóia?)
Ela gritava todos os palavrões possíveis descontroladamente:
-Não mexe com filho meu, fdp.....vead......safad.....!
Fui obrigado a me levantar e tentar acalmá-la. Mostrei que a criança chorava ainda mais e a convenci a levá-la para tomar água. Por um minuto fui a atração principal da sessão desenvolvendo minha habilidade como mediador de conflitos.
Que não funcionou tão bem assim.
Ao fim do filme o pai da criança, até então sumido, surpreendeu o rapaz dos doces e deu-lhe um belo pescotapa. Com a mão na nuca empurrou a cabeça do "chato" para baixo e fez com que andasse uns bons metros cheirando o chão. Ainda derrubaram uma meia dúzia de cadeiras da praça de alimentação até que os seguranças chegassem.
E depois de onze anos de espera felicito o lançamento de Bee Movie em DVD.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Juntos chegaremos lá

São Paulo atingiu um novo recorde de congestionamento na quarta-feira.
293 quilômetros de congestionamento às 7 da noite.
Chuva, acidentes, véspera de feriado.
A imagem de ruas e avenidas nas emissoras de tevê era desalentadora.
De um lado da tela as luzes brancas dos faróis.
Do outro a luz vermelha que indicava: todo mundo com o pé no freio. Para piorar, um frio de rachar.
Agora é esperar por uma nova marca: 300 quilômetros!
Juntos chegaremos lá! Ou juntos pararemos lá!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ar puro

A prefeitura de São Paulo está autorizada pelo vereadores a reduzir gradativamente a circulação de carros no centro da cidade.
Está é uma das medidas previstas e aprovadas em um plano para redução dos índices de poluição na capital.
Não há menção no texto sobre a criação de pedágio urbano.
De qualquer forma é possível que dentro de algum tempo seja adotado um rodízio mais rigoroso na região.
O centro da cidade é relativamente bem servido de transporte público.
Há estações do Metrô - mais uma linha está sendo construída - ônibus, muitos táxis, que ainda cobram uma tarifa muito alta.
Os paulistanos serão colocados então diante de uma escolha difícil: optar pelo transporte público em nome de menos congestionamento, ar mais puro, menos ocorrências de doenças respiratórias ou dormir dez minutos a mais e optar pela comodidade do automóvel?
A tendência em todo o mundo é a priorização do transporte público.
Em Nova Iorque, o prefeito Michael Bloomberg vai transformar diversas ruas e avenidas de Manhattan em calçadões. Assim é em Londres, Tóquio.
Cidades que possuem um número de quilômetros de metrô infinitamente superior ao daqui.
O Metrô paulistano está superlotado, com mais passageiros por metro quadrado nos horários de pico do que qualquer outro.
Quem usa sabe do empurra-empurra que é para entrar no vagão.
Achar um assento então, só de dormir lá dentro para já acordar sentado.
Antes de restringir é preciso dar alternativa de qualidade e convencer quem usa o carro particular que vale a pena acordar dez minutos mais cedo e optar pelo transporte público.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma banda pra acompanhar

Ter uma banda predileta é um privilégio. Pensei nisso hoje de manhã enquanto ouvia uma entrevista na Rádio Bandeirantes.
O jornalista Haisem Abaki bateu um papo bem legal com Paulo Miklos sobre o lançamento do novo disco dos Titãs.
Enquanto a conversa rolava no rádio do meu carro resgatei na memória minha primeira lembrança da banda. É de 87. Tinha 9 anos quando ganhei de aniversário um micro-system da CCE.
Era o máximo na época. Parecia um daqueles equipamentos gigantescos que os rappers americanos apoiavam no ombro enquanto dançavam pra fazer"tipo" em clipes da década de 80.
Eu e uns amigos levávamos o rádio e uma fita-cassete para a portaria do prédio, ligávamos em alto e bom som apesar da contrariedade de alguns moradores e travávamos uma disputa. Em sistema de rodízio, cada um de nós tinha 5 minutos cronometrados para achar "a" música e gravá-la.
Ao fim do dia ouvíamos o resultado final.
Gravei milhares de músicas umas em cima das outras até a fita perder a força.
Mas uma delas ficou guardada, nunca foi destruída.
A fita era laranja e tinha como música de abertura "Comida" do disco "Jesus Não Tem Dente do País dos Banguelas". O tom de voz rasgado de Arnaldo Antunes, o ritmo estranho que misturava rock n´roll com reggae, a presença marcante do coro dos outros componentes soaram como algo mágico. Sem saber, antes mesmo da primeira década de vida, já tinha uma definição em relação ao futuro: uma banda pra acompanhar, que iria me influenciar dalí por diante no modo de me comportar, nas coisas que penso, que digo, nos lugares onde vou, nos amigos que escolho.
A partir da portaria do meu prédio descobri o resto do disco que tem clássicos como " Lugar Nenhum", "Corações e Mentes" e "Nome aos Bois" e a fita laranja logo virou uma cópia pirata do vinil que ganhei dias depois. Fita laranja que desapareceu com o tempo, mas tem o mérito de ter sido a primeira peça um amplo material em audio, video e texto reunido ao longo de 20 anos relembrados alí, dentro do carro, em 20 minutos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Congonhas, carnaval e amizade

Passei dia desses por Congonhas. Não entrava lá há um bom tempo e fiquei impressionado com a mudança. Do lado de fora segue mal cuidado, repleto de vendedores ambulantes, com muros pichados, lixo acumulado, trânsito confuso. Mas por dentro mudou muito. Está modernizado, com novas salas de embarque, fingers, etc. Mesmo com todas as obras, o aeroporto não perdeu a identidade e continua sendo um marco da cidade. O piso quadriculado em preto e branco e o restaurante panorâmico que permite uma incrível visão da pista são das coisas mais paulistanas que existem.
A visita me fez lembrar bons momentos vividos enquanto trabalhei lá, por 2 anos, na Ponte Aérea Rio-São Paulo. As coisas eram bem diferentes embora não esteja falando de um período tão distante assim. Fim da década de 90. Não havia reserva de horário nem marcação de lugar para passageiros que queriam viajar entre as duas capitais . Funcionava assim: Varig, Transbrasil e Vasp monopolizavam o trecho e ofereciam, em média, um vôo a cada meia hora. Chegou, embarcou. O público era muito seleto. Empresários, artistas. O que não quer dizer que não promovessem barracos memoráveis.
Me recordo de uma sexta-feira pré-carnaval. Parecia que o mundo estava indo ao Rio. Sala de embarque lotada. Era uma da tarde e já não havia mais vagas para o vôo das 4 horas. Passageiros agitados, carregando fantasias, com crianças correndo por todos os lados. Um ou outro empresário irritado com a demora e louco para fechar um negócio importante do outro lado da Ponte-Aérea. Mas, as coisas podiam piorar.
E assim aconteceu. Eu e um amigo, Rogério, que coordenávamos o embarque, fomos avisados pelo rádio que por uma restrição da pista a aeronove não poderia decolar lotada nem muito pesada. Sendo assim, 40 passageiros que embarcariam às 13h30 teriam que ficar em São Paulo. Só poderiam voar às 17hs! Mas como escolhê-los se não havia ordem de chegada, lugar marcado?Só viajariam os mais baixos, os mais altos, os com a barba por fazer? Que critério usar? Nenhum. O jeito era torcer, mas o clima estava pouco favorável. Assim que demos a má notícia no sistema de som da sala de embarque houve uma revolta geral. Nós fomos xingados como o árbitro de futebol que não marca um pênalti claro para o time da casa. Eu e Rogério decidimos o seguinte: Abrir poucos centímetros da porta que dava acesso da sala de embarque para a pista. O suficiente para passagem de um corpo por vez. Como naquele tempo o embarque era feito a pé, cada um de nós ficaria de um lado escorando a porta. Assim que contássemos 90 fichas, fecharíamos a porta. Quem foi, sorte. Quem ficou, azar. Mas na verdade, nós ficamos com o azar.
Nossa estratégia furou. Conseguimos contar até o quinto cartão de embarque, mais ou menos. Depois, fomos atropelados. Os passageiros: artistas, empresários, completamente irados, estouraram a porta, invadiram a pista e sentaram em todas as aeronaves que estavam paradas por lá. Que iam pro Rio, mas também Fortaleza, BH, Campo Grande.
Resultado: A Polícia Federal interveio, entrou em cada um dos aviões, checou a passagem de cada passageiro, ameaçou alguns de prisão, levou outros para a delegacia.
Tomamos uma bela bronca da chefia, tivemos que voltar para a sala de embarque e encarar os mesmos passageiros, mas, em contrapartida, temos uma bela história pra contar que serviu pra solidificar uma amizade que dura muitos carnavais.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dia das Mães na 25 de Março

Época de Dia das Mães é dor de cabeça na certa. São raríssimos os filhos que conseguem se planejar e comprar um presente uma semana, 15 dias antes da data. A imensa maioria dos rebentos concebidos e criados com tanto carinho e amor deixa tudo para o último minuto. Se você se identificou com esse grupo de "ingratos" tem duas alternativas:
Uma delas é aceitar sua condição de desnaturado e fingir que acredita naquela história esfarrapada da sua mãe que diz que não quer nada, afinal de contas o maior presente do mundo é você, filho tão lindo! Mas, se ainda resta um fiapo de bom senso na sua consciência para perceber que ela não diz a verdade, sebo nas canelas como diria Salsicha, fiel companheiro de Scooby-Doo. Mães sempre esperam, ao menos, uma lembrancinha. Chegamos então a segunda alternativa. A correrria. Há algumas opções:
Comprar pela internet? É arriscado. São muitos pedidos. Podem não entregar até domigo. Tem algo mais anti-climax do que dar presente de Dia das Mães em uma terça-feira?
Shopping Center? Haja paciência. Todos lotados, sem vaga no estacionamento, preços mais caros.
Para quem é de São Paulo sobra a 25 de Março. Neste ano com alguns obstáculos impostos pela prefeitura de São Paulo que tem realizado uma intensa operação de combate aos camelôs no paraíso do comércio de rua do país.
Vendedores ambulantes estão proibidos de trabalhar por 100 dias até que seja feito um novo cadastramento. Atualmente, apenas 74 de cerca de 400 têm a autorização.
Operação enxuga gelo feita há anos pelas diversas administrações da cidade que já demonstrou não dar resultado. Afinal de contas não adianta ocupar, causar uma mini guerra durante 15 dias e virar as costas. Tudo volta a ser como antes com a conivência, muitas vezes, de fiscais da própria prefeitura. E com os grandes empresários que alimentam camelôs com produtos piratas, que mantêm tradicionais stands de equipamentos eletrônicos contrabandeados e falsificados. Vão remover também? Aí o buraco é mais embaixo, né?
Desde segunda-feira, quando começou a tal operação dos 100 dias na 25 de Março, há quebra-quebra, confronto entre ambulantes e policiais, enfim, um clima pouco convidadativo para consumidores. Como nessas horas de correria ninguém é de ninguém, há uma boa dose de risco de você não achar um presente e sair de lá com os olhos marejados pelo spray de pimenta, o braço luxado após ter sido entortado para trás e encostado na nuca em uma doce revista de rotina dos PMs, sem a carteira batida por um bandido ou com um produto " sem galantia"que vai quebrar quando dobrar a esquina. E aí sim sua mãe vai dizer com toda a razão e sinceridade do mundo que não queria nada, afinal de contas o maior presente do mundo é você, filho mais lindo do mundo!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O bagulho tá sério!

O Retrato Paulistano segue no lixo. No bom sentido, é claro.
No texto abaixo falamos da "instalação inusitada" dos "artistas" da prefeitura, que deixaram o centro da cidade absolutamente sujo durante o fim de semana da Virada Cultural.
Hoje vamos "revirar" a lata para chegar a outra ponta da imundice. Para ilustrar o texto do dia, um caso prosaico. Dia desses, por volta das 11 da manhã, estava na calçada perto de casa e percebo pelo som alto a chegada de um carro. Uma pick-up Fiat Strada, com rodas e acessórios cromados. Em uma Fiat Strada cabem duas pessoas. Mas naquela estavam três jovens por volta dos 20 anos. Um, óbvio, como motorista. Outro no passageiro. E um terceiro amassado entre os bancos e o vidro da pick-up, em um espaço de mais ou menos 40 centímetros. Os três riam muito. Até aí, nada de errado. A não ser pela música. Tentei decorar o refrão do "batidão" para contar aqui.
Era mais ou menos assim: "..ério, ério, ério tira o chinelo que o bagulho tá sério".
Mas gosto musical não se discute. Bola pra frente.
Um deles, o passageiro, desce do carro e entra em um prédio.
O de trás, que estava todo empacotado, se desamassa como uma tartaruga saindo do casco pra pegar alface. Dá um último gole em uma latinha de cerveja Itaipava e joga a embalagem pela janela.Toca o celular do motorista que pede silêncio ao colega, o tartaruga. Ele dá um stop no "batidão" e trava um rápido diálogo:
-Alô, pai. Na boa. Não encana. Na boa. Abraço, pai!
O som volta ao mesmo refrão onde tinha parado. Acho que era na parte do chinelo, não me lembro bem.Nesse curto espaço de tempo o agora "nosso" amigo tartaruga já tinha tomado outra latinha.E adivinhem? Pela janela, é claro.
Enquanto isso o rapaz que tinha entrado no prédio reaparece com três copos na mão.
Tartaruga, ao avistá-lo, solta a seguinte frase: -Valeu, legalize!
Lá se foi a pick-up. Lá se foram tartaruga e seus amigos. Lá ficaram duas latinhas de cerveja.
Desse jeito, nem se a prefeitura mantivesse um gari em cada quarteirão da cidade.
"É ério, ério, ério, o bagulho tá sério!"

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Olha aí freguesia!

Sábado é dia de feira perto de casa. Confesso que de um tempo pra cá adquiri uma certa resistência ao evento. Pela interdição desnecessária da rua, pelo cheiro de peixe que fica como lembrança, pela sujeira que demora a ser recolhida e por, algumas vezes, discordar da higiene e da forma de acondicionamento dos alimentos. Ainda não consigo me convencer que comprar comida na rua é um bom negócio. Só uma barraca segue me encantando. A do pastel. Desde criança, quando ia a feira acompanhado da minha mãe e do meu irmão, compro pastel na mesma barraca. É uma espécie de tradição que não pode ser quebrada. Já tentei mudar, mas me senti inadequado, sem jeito. Era como se estivesse cometendo uma infração. Como se a polícia fosse chegar, dar um tapa no meu pastel ainda pela metade e me obrigar a voltar para a barraca de onde eu, um traidor, nunca deveria ter saído! Afinal de contas, ainda estão lá as mesmas vendedoras que me serviam quando era um menino. Com exceção de uma delas, uma japonesa, a mais velha da turma. Nunca tive coragem de perguntar, mas pelo sumiço repentino, certamente não está mais entre nós. A única coisa que mudou ao longos dos anos, além da ausência da "gerente" da barraca, foi o sabor do meu pastel. Já preferi o de carne, queijo, bauru. Hoje, fico no de pizza.
São Paulo tem quase 900 feiras-livres. A prefeitura, faz uns dois anos, tentou discipliná-las. Estabeleceu horário para o funcionamento das barracas e cobrou mais higiene.
Parece ter dado resultado, afinal, as feiras seguem atraindo muita gente.
Consumidores em busca de produtos mais baratos do que em sacolões e em supermercados.
Que gostam de ouvir toda semana o feirante gritar o maior chavão de todas as feiras do mundo:
- Aqui moça bonita não paga, mas também não leva!
Que vão a feira encontrar os vizinhos, saber as últimas do bairro.
Ou então, apenas manter viva uma recordação de infância tão boa quanto afundar a cara em um imenso pastel de carne acompanhado da mãe e do irmão em um sábado de manhã.

domingo, 26 de abril de 2009

O massacre da serra elétrica

Domingo, 7 :10 da manhã. Friozinho típico de outono.
Folga depois de duas semanas.
Dia em que você acorda cedo, dá uma olhada no relógio e pensa:
- Preferia tomar um soco na boca do que me levantar agora!
Vira pro lado e volta a roncar.
Até que uma serra elétrica começa a funcionar na vizinhança.
Potente, motor envenenado. Deve ser 2.0 com injeção eletrônica.
A primeira reação é negar o problema, achar que está sonhando.
Mais alguns minutos e começa a pensar em hipóteses :
- O zelador do prédio enlouqueceu e está aparando a grama agora?
- Tem um motoboy fazendo zerinho embaixo da minha janela?
Mais um pouquinho de espera. Amaldiçôo a existência do "piloto" da serra elétrica e de toda a família dele.
Mais um pouquinho de espera. Não entendo como ninguém se incomoda. A irritação aumenta por me achar tão pouco desenvolvido emocionalmente a ponto de me irritar tanto.
Me levanto derrotado.
Abro a janela e vejo um cidadão com boné, uma camiseta amarrada no rosto, cortando o mato de um terreno baldio. Deve achar que está em um canavial na região de Piracicaba, mas não. Está na zona sul da capital.
Munido de uma dose de raiva absolutamente desconselhável para esta hora da manhã grito, mostro o pulso para chamar atenção para o horário e ameaço chamar a polícia.
O rapaz faz sinal para esperar. Chama um colega, eles conversam e fazem sinal de positivo.
Pararam! Foi fácil. Volto pra cama me sentido um pouco mais poderoso.
Mas e se eles não parassem? Chamaria mesmo a polícia? Pra isso?
Como é que São Paulo não possui um atendimento imediato para reclamações contra barulho.
Se eu ligasse para o PSIU iam abrir um chamado.
Completamente sonado, teria que procurar caneta e papel para anotar o protocolo.
E me dariam 30 dias para verificar a ocorrência.
Deixa pra lá. Melhor levantar. Já são 7:50.
Bom dia!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

As aparências enganam

Um é o maior artilheiro da história das Copas, foi eleito 3 vezes o melhor jogador do mundo, é milionário e tem um dos rostos mais conhecidos do mundo ao lado do Papa e do presidente dos EUA. A outra é uma paupérrima desempregada escocesa de 47 anos que tem dificuldades de aprendizagem por falta de oxigenação no cérebro durante o nascimento, jamais teve um namorado e passou a vida cuidando da mãe doente. Um abismo separa as realidades de Ronaldo e Susan Boyle. A pressa em julgar e ridicularizar alguém aproxima Ronaldo de Susan Boyle. O pique do Fenômeno no segundo gol do Corinthians contra o São Paulo deixou para trás, além do zagueiro Rodrigo, qualquer dúvida sobre seu poder de superação. Dúvida que pairava com maior intensidade sobre a cabeça de um dirigente do São Paulo que dias antes da decisão chamou Ronaldo de "ex-jogador". Susan Boyle se apresentou em um programa que revela cantores e cantoras na tevê da Inglaterra. Foi menosprezada por jurados e platéia que riram de suas respostas titubeantes. Aos primeiros acordes da música " I dreamed a dream" havia gente chorando embasbacada com o talento da moça. A apresentação, elogiada de forma unânime por críticos ao redor do mundo, já foi vista incríveis 100 milhões de vezes na internet. Os joelhos e a cintura larga de Ronaldo, a voz e a feiura de Susan Boyle mostram o risco do preconceito, do pré-julgamento e da intolerância com o diferente .

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O vereador Wadih Mutran, PP, quer instalar uma academia de ginástica para vereadores e funcionários dentro da Câmara Municipal de São Paulo.
Afinal de contas, saúde é o que interessa. Torço pra que dê certo.
Assim, seríamos a primeira cidade do mundo onde os vereadores são de ferro, com bíceps bem trabalhados, barrigas definidas, pulmão oxigenado, coração blindado.
Não haveria mais um braço pelancudo no plenário.
A Califórnia de Arnold Scharwzenegger terá inveja de nós!
Wadih Mutran é o responsável pela Corregedoria da Câmara.
Repousam sobre a mesa dele denúncias contra os vereadores Kamia, José Police Neto e Noemi Nonato. Para absolver ou acusá-los, precisa analisar os processos.
Wadih Mutran tem base eleitoral na Vila Maria, zona norte, região repleta de problemas que deveriam absorver a atenção dele.
No entanto, o vereador sai com uma dessas em um momento em que o país se revolta contra abusos do Legislativo como distribuição de passagens aéreas com dinheiro público, castelo em Minas Gerais, utilização irregular de apartamento funcional, etc. Wadih Mutran foi, no mínimo, completamente insensível.
Ou então, não dá a mínima para o que pensa quem paga imposto e espera que os vereadores trabalhem por uma cidade melhor.
Uma comissão da Câmara rejeitou a instalação da academia, mas o projeto pode voltar a ser debatido.
Que os eleitores fiquem de olho e aproveitem o assunto para malhar as pernas.
Que os vereadores lembrem-se das eleições em 2012 e malhem bastante os glúteos.
O impacto pode ser forte!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Virada cultural

Foi anunciado hoje o cronograma de eventos da Virada Cultural 2009.
A edição deste ano será realizada no feriadão do Dia do Trabalho, entre os dias 2 e 3 de maio, com mais de 800 atrações em 24 horas.
O tema da festa será o ano da França no Brasil.
Esta será a 5ª edição da Virada Cultural.
Até hoje, a única ocorrência policial mais grave foi registrada durante um show dos Racionais, no centro da cidade. Fora isso, os eventos rolam sem grandes problemas. O clima em São Paulo fica diferente. Restaurantes e bares abertos o tempo todo, metrô em funcionamento por 24 horas, famílias circulando pelo centro em plena madrugada, bêbados pelas calçadas, monumentos iluminados, enfim, uma mistura pra lá de interessante, um momento em que paulistanos e turistas tomam efetivamente conta da cidade, do espaço público, assumem aquilo a que têm direito.
Na Estação da Luz haverá um palco com bandas que farão uma homenagem aos 20 anos da morte de Raul Seixas. Revolucionário do rock, foi autor de clássicos e discos fundamentais para a música brasileira. No entanto, ainda é visto por parte dos “especialistas” como artista menor, folclórico, como o louco que não dever ser levado a sério.
Agora, recebe uma justa homenagem da cidade que escolheu pra viver, a cidade mais rock n roll do país.

* O programa completo da Virada Cultural está no http://www.viradacultural.org/

quinta-feira, 26 de março de 2009

Inauguração!!!!

O cotidiano. Passa quase sempre despercebido, perdido na rapidez dos acontecimentos que afogam quem vive em São Paulo. O blog Retrato Paulistano tem a modesta proposta de destacar os acontecimentos que, encadeados um ao outro, transformam esse chão que está sob seus pés em um dos lugares mais interessantes do mundo. O espaço está aberto para a discussão sobre a cidade, problemas, curiosidades, observações, elogios, mas, principalmente, para o que pensa quem vive aqui. Qual é o assunto do dia na padaria do seu bairro? Qual é o assunto que mais chama atenção nas manchetes de jornais expostos nas bancas? Enfim, a possibilidade de temas é tão grande quanto a distância entre Engenheiro Marsillac e Ermelino Matarazzo. Desnecessário dizer que a participação de todos é muito bem-vinda!